Cresce importância da internet na venda de imóveis

19 agosto, 2009

Tecnisa informa que 27% das vendas no ano passado foram iniciadas pela rede de computadores. Na MRV, o percentual é de 20%.

A internet vem ganhando importância nas vendas de imóveis. Além de informações sobre as próprias empresas, está cada vez mais comum que os sites das incorporadoras e imobiliárias ofereçam serviços de corretores online que ajudam a esclarecer dúvidas de potenciais consumidores e, muitas vezes, agendam visitas aos plantões de vendas ou imóveis prontos. Embora os consumidores, na imensa maioria dos casos, não comprem a casa própria pela internet, o uso da rede para comparar os imóveis oferecidos por diferentes empresas, para buscar informações sobre as incorporadoras e imobiliárias tem sido recorrente. As companhias têm utilizado também redes sociais como Orkut para direcionar internautas para seus sites. Segundo representantes do setor imobiliário, a tendência é de um aumento das vendas de imóveis iniciada pela internet.

No ano passado, a Tecnisa registrou venda de 508 imóveis originadas pela internet em São Paulo, o correspondente a 27% do total comercializado no estado no período. As vendas da empresa iniciadas na internet aumentaram 43% em 2008, comparando-se com 2007. A companhia tem apostado nas chamadas redes sociais para direcionar visitas ao seu site. No primeiro semestre deste ano, 15% das visitas ao site da Tecnisa partiram do blog da empresa, de mensagens no Twitter e de conteúdos postados, por exemplo, no Orkut e Facebook. Os clientes que buscam informações online são atendidos por corretores por meio de chat, e-mail, videoconferência ou ainda pelo telefone. A Tecnisa espera que o formato de videoconferência responda por 10% do atendimento online no fim deste ano.

As vendas originadas pela internet respondem por 20% dos negócios da MRV Engenharia, e a expectativa é que esse porcentual aumente, conforme o gestor executivo de Marketing da companhia, Rodrigo Resende. A empresa deu início ao sistema de venda online em 1996, focando brasileiros que viviam no exterior e estavam interessados em comprar um imóvel no País. Nos últimos cinco anos, o foco das atenções das vendas da MRV pela internet passou a ser o consumidor que vive no Brasil. Atualmente, a MRV possui 140 corretores online, que acompanham os potenciais compradores nas visitas físicas ao imóvel ou, se necessário, direcionam os clientes para profissionais da empresa baseados em outras regiões. Segundo o executivo da MRV, mais de 70% dos clientes visitam o site para buscar informações sobre os produtos oferecidos. Assim como a Tecnisa, a MRV faz uso de redes sociais para atrair potenciais compradores para seu site.

Acesso é feito no horário comercial

A classe C responde pela maior fatia das 2.000 pessoas que a MRV atende online por dia, de acordo com Resende. O diretor de lançamentos e de marketing do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), Fabio Rossi, destaca que parte de quem busca imóveis pela internet não tem acesso em casa à rede mundial de computadores. No caso da Itaplan, imobiliária da qual Rossi é diretor de marketing, o site é mais acessado por potenciais compradores de imóveis entre 7h e 8h30, no horário de almoço e no final do expediente. Cerca de 38% das vendas da Itaplan são iniciadas pela internet.

Segundo a diretora de Marketing da Tenda, Dirce Amaral, 80% dos acessos ao site da companhia são feitos pelos potenciais consumidores durante o dia no trabalho. Parte das pré-vendas da Tenda é feita no site da empresa. Até abril, os corretores tradicionais também atendiam a demandas dos clientes pela internet, mas, desde então, passaram a oferecer atendimento online exclusivo. A oferta do serviço começou pelo Rio de Janeiro e é hoje nacional, com foco nos mercados fluminense, de São Paulo e de Porto Alegre. A empresa conta com 24 pontos de atendimento, sendo dez deles somente para o Rio. Os consumidores podem conversar com atendentes pelo chat, fazer agendamento para tirar dúvida pelo telefone ou marcar horário para serem recebidos em uma loja da Tenda.

No caso da Gafisa, os negócios iniciados na internet respondem por 25% do volume comercializado pela Gafisa Vendas, braço de vendas da companhia. A grande maioria dos consumidores apenas dá início ao processo de compra pela internet, mas há, por exemplo, investidores que vivem no exterior e já conhecem a companhia que concluem o processo de decisão pela rede, segundo o diretor de vendas e marketing da Gafisa, Luiz Carlos Siciliano. Conforme o executivo, praticamente toda a comercialização dos imóveis da companhia passa de alguma forma pelo site de vendas da Gafisa ou da imobiliária que está responsável pela negociação do empreendimento.

Fonte: Por Chiara Quintão – Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado.


‘Construção no Brasil vai crescer por 10, 20 anos’

18 agosto, 2009

Nos últimos meses, o Brasil passou a ocupar a maior parte da agenda do executivo americano Gary Garrabrant. Com negócios em dez países, é para o País que sua empresa de investimentos imobiliários Equity International, fundada ao lado do bilionário Sam Zell, está voltando suas forças.

Além de deter participações em companhias como Gafisa, BRMalls e Bracor, o fundo comprou em março 4,86% das ações da Tenda. Agora, anuncia planos de expandir sua atuação no setor, com a criação de uma empresa de financiamento imobiliário. A ideia é aproveitar o possível “boom” do crédito imobiliário no País, com a queda da taxa básica de juros (Selic) e do crescimento da demanda por imóveis populares. Segundo Garrabrant, que desde 2006 é também o presidente do conselho de administração da Gafisa, as conversas com parceiros locais estão em andamento, e o anúncio do novo empreendimento pode ocorrer ainda este ano. “A oportunidade é imensa nessa área”, diz. A seguir, leia os principais trechos da entrevista concedida pelo executivo:

O que tem levado sua empresa a investir no Brasil?

Estamos entusiasmados com o Brasil por muitas razões. A escala do País, o tamanho da população, a juventude da população, o crescimento da classe média são algumas delas. No setor imobiliário, o Brasil é uma das estrelas. Pode haver 10 ou 20 anos de crescimento. Estou bastante animado com as possibilidades no setor de construção, porque a demanda é enorme, a população é jovem, as pessoas entendem a importância de ter sua própria casa, e isso impulsiona outros setores, como o varejo. Também estamos pensando em negócios financeiros, que estão conectados ao segmento habitacional. Há muito a fazer.

O programa Minha Casa, Minha Vida tem mexido com o setor. Qual sua avaliação sobre o projeto?

Estamos muito otimistas sobre o programa. Há o início de um esforço de organização. O governo brasileiro manteve a Caixa Econômica Federal operando por muito tempo sem a devida compreensão sobre a distribuição das hipotecas. Acredito que o programa representa uma forte demonstração de realizar essa distribuição em escala. Com esse compromisso, o programa do governo pode funcionar.

O programa já está andando?

Sim, está andando bem e estamos otimistas com ele. Acredito também que vai haver muito interesse dos bancos comerciais nesse setor. As pessoas pensam que habitação popular é assunto apenas do governo, mas isso não é verdade. As ramificações vão muito além. Do lado dos bancos, é um bom negócio. A hipoteca acaba levando a outros produtos.

A Equity International também está interessada nessa área?

É uma de nossas melhoras ideias. A oportunidade é imensa na área de financiamento imobiliário, seja comercial ou residencial. O segmento comercial tem tido um desenvolvimento muito lento no Brasil, em boa parte por causa das condições políticas do País, que levou as pessoas a evitar assumir riscos. Os proprietários de imóveis como hotéis, escritórios e shopping centers focaram suas finanças no curto prazo, e muito raramente no longo prazo. Acredito que vai ocorrer uma ruptura e as pessoas vão reconhecer o valor a longo prazo desses empreendimentos. Nossa ideia é capitalizar esse momento, de uma forma organizada e em escala.

É um projeto para este ano ainda?

Tenho esperança que sim. Mas é prematuro dizer. Temos de achar o parceiro certo. Estamos conversando com os melhores da área financeira. Do nosso lado, levamos o dinheiro e expertise, principalmente no setor imobiliário.

Que outros setores vocês tem olhado, além do imobiliário residencial?
É um momento interessante para se estar na área de varejo. Os shoppings são um importante elemento do estilo de vida do brasileiro. As pessoas se encontram ali, tomam café, passeiam, jantam. Então, acho que há uma grande oportunidade de profissionalização nos imóveis para o varejo. Outra área que deve crescer são os imóveis para grandes redes varejistas e supermercados.

Há empresas dessa área sendo avaliadas?

Estamos sempre olhando. O setor de varejo tem grandes oportunidades no Brasil. E é um setor novo. Há poucos players, a maior parte de propriedade de indivíduos ou famílias. Vimos isso nos EUA também. Nos anos 70 e 80, havia grandes personalidades no setor de varejo. Com o tempo, isso deu lugar a uma maior profissionalização.

O Brasil tem sido apontado como o país emergente mais promissor. Isso ocorre por causa da crise ou o País é uma boa oportunidade por suas próprias características?

Temos dito há algum tempo que o Brasil é nosso país número um para investimentos. Chegamos a essa conclusão antes da crise. Apesar das peculiaridades de cada setor, há características aqui relacionadas às pessoas. Temos encontrado aqui pessoas apaixonadas, empreendedoras, inteligentes. É um bom lugar para se estar.

O início da crise financeira ocorreu nos Estados Unidos, com o estouro da bolha do subprime. No Brasil, estamos vivendo o que pode ser o primeiro passo de um boom no financiamento imobiliário. O que pode ser feito aqui para evitar que o mesmo problema ocorra aqui?

Os Estados Unidos, nos últimos 25 anos, adotaram uma cultura de negócios dependente desse capital. A tecnologia criada pelos bancos de investimentos e outros competidores dessa área era, de certa forma, boa demais. Eles eram talentosos demais. E, como resultado, muitos países, liderados pelos EUA, tiveram acesso a esse capital de uma maneira maior do que era necessário. No Brasil, há um longo caminho a percorrer, pois é pequena a parcela da população com casa própria. Outro ponto positivo é que o País sobreviveu a múltiplas crises ao longo de décadas. Com isso, há prudência no “DNA” do Brasil. Minha preocupação é, sim, com o capital especulativo. Somos cuidadosos em como investir. Mas muitas pessoas não.

Antes da crise, o setor imobiliário brasileiro viveu uma avalanche de IPOs e lançamentos. Quais foram as consequências dessa euforia?

Muitas das empresas que fizeram IPO têm apresentado números ruins. Elas não foram capazes de preencher suas responsabilidades, não administraram bem as expectativas. Essas companhias pensaram que o IPO era o fim, mas ele é o começo da jornada. A Tenda é um exemplo. Se tornou pública, e não teve um bom desempenho. A Abyara é outro exemplo.

O que a Tenda tem feito para reparar isso?

O que fizemos foi mudar completamente a direção da empresa. Aplicamos a disciplina da Gafisa em várias áreas, como engenharia, construção, gerência de projetos. A reunião do conselho (de administração) da Tenda hoje é como se fosse a da Gafisa. É isso é positivo, porque há um bom casamento ali.

Fonte:Último Segundo – Economia


Tenda planeja lançar 5.000 imóveis para baixíssima renda

7 agosto, 2009

Unidades devem ser vendidas para a CEF e depois repassadas aos beneficiários do programa “Minha Caixa, Minha Vida”.

Incorporadora com ações na BM&FBovespa que possui o perfil mais popular, a Tenda planeja lançar nos próximos 12 meses 5.000 imóveis voltados para famílias com renda entre zero e três salários mínimos. Esse é um segmento de renda em que a Tenda não atuava antes de o governo lançar o programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Por meio do programa, a Caixa Econômica Federal planeja comprar um total de 400.000 imóveis das construtoras nos próximos anos e repassá-los para as famílias com renda de até três salários mínimos. O governo vai subsidiar essas casas. Os moradores terão de pagar só 50 reais por mês, ao longo de dez anos, em troca dos imóveis.

Em São Paulo, as construtoras poderão cobrar no máximo 52.000 reais por cada unidade de cerca de 43 metros quadrados. O presidente da Tenda, Carlos Trosli, diz que esses imóveis serão vendidos com margens mais baixas do que os demais. Por outro lado, o negócio compensa porque não há risco de inadimplência ou de encalhe.

A CEF vai receber os projetos das construtoras previamente aprovados pelas prefeituras e escolher os melhores de acordo com a localidade e o valor cobrado pelos empreendimentos. As construtoras precisarão seguir normas técnicas estabelecidas pela Caixa, mas não há um sistema de construção pré-definido.

Em geral, os imóveis serão erguidos em terrenos doados pelas prefeituras ou governos estaduais que quiserem participar do programa. Para serem mais baratos, os imóveis também contam com incentivos tributários. Os projetos serão simples, sem uma grande área de lazer ou outros detalhes que encarecem a obra.

A Caixa Econômica Federal já avisou às empresas que não gostaria que os imóveis fizessem parte de empreendimentos imensos. A Tenda optou por um modelo de construção de prédios com quatros andares e 20 apartamentos.

Para acelerar a construção dos imóveis, a construtora vai usar uma forma de alumínio que já possui os espaços necessários para os fios de eletricidade. Essa forma é preenchida com concreto e se transforma nas paredes da moradia. Por meio desse método, a Tenda diz que é possível construir um apartamento sem o acabamento em 10 a 15 dias. Em seis meses, todo o empreendimento pode ser finalizado.

Bom relacionamento com a Caixa

Parte do otimismo da Tenda deve-se ao bom relacionamento da construtora com a Caixa Econômica Federal. Há poucas semanas a empresa conseguiu levantar 600 milhões de reais com a emissão de debêntures (títulos de dívida privada) que foram adquiridas pela CEF com juro equivalente à TR (taxa referencial) mais 8% ao ano.

Trosli diz que a empresa foi a única que conseguiu levantar recursos por meio desse tipo de operação com a CEF até agora por ter os projetos voltados para a baixa renda em seu DNA. Os imóveis da Tenda têm o tíquete médio mais baixo do mercado: 82 mil reais. “Nosso concorrentes mais próximos têm um tíquete médio de 100 mil reais”, diz Trosli.

Para famílias com renda superior a três salários mínimos, o governo vai subsidiar uma parte do valor do imóvel dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Um imóvel de 80 mil reais, por exemplo, recebe um subsídio de cerca de 23 mil reais. O valor restante é pago pelo cliente – parte à vista e parte com financiamento.

Para facilitar a liberação do crédito, a Tenda transformou a maioria de suas lojas em correspondentes bancários da CEF. A própria construtora se encarregar de gerenciar toda a parte burocrática para a liberação do empréstimo. O comprador entrega seus documentos e comprovantes de renda para a Tenda, que também realiza uma entrevista para saber sobre suas condições de pagar pelo crédito que está sendo pleiteado.

Esse processo leva cerca de 15 a 20 dias. Todas as informações são depois repassadas para a CEF, que faz uma análise de crédito e decide por liberar ou não o financiamento. Em entrevista recente a EXAME, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, disse que planeja reduzir o tempo de liberação de um empréstimo, que muitas vezes chega a seis meses, para no máximo 45 dias.

Esse tipo de parceria com as construtoras é um dos trunfos para acabar com os gargalos na Caixa. Segundo Trosli, antes uma agência da Caixa conseguia fazer a análise de 30 financiamentos por mês e, com essa nova fórmula, chega a avaliar a liberação do dinheiro para 300 ou 400 compradores de imóveis. “Repassamos para a Caixa 1.240 clientes em 2008 e já superamos 2.000 neste ano”, diz. “Achamos uma maneira eficiente de operar com a CEF.”

Fonte: Portal Exame – Por João Sandrini


Construção civil volta a ter carência de profissionais

6 agosto, 2009

Por AE

São Paulo – Mal começou a recuperação econômica e o setor de construção civil já se depara com a disputa por engenheiros. O setor foi um dos menos atingidos pela crise econômica e um dos que mais rapidamente voltou a crescer, graças à resistência do mercado interno e a estímulos como o pacote habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, lançado em março.

No primeiro semestre de 2009, foram criadas 3,1 mil vagas para profissionais com diploma universitário na construção civil, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número ainda está longe dos 7 mil postos criados no mesmo período de 2008, ano considerado excepcional, mas já está próximo das 3,5 mil vagas criadas nos primeiros seis meses de 2007.

De acordo com o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, mesmo com um ritmo menor de abertura de postos de trabalho, o reaquecimento já trouxe de volta a disputa por engenheiros. “Ainda temos um déficit grande de profissionais que só vai ser suprido daqui a dois ou três anos”, diz. No ano passado, a disputa por engenheiros elevou os salários pagos no setor.

As incorporadoras Gafisa e Tenda, pertencentes ao mesmo grupo, adotaram uma linha de estímulos para atrair os profissionais. Em 20 de julho, as empresas abriram as inscrições para o programa Comece Bem, que pretende contratar jovens engenheiros civis e de Produção no segundo semestre. “Vamos fornecer para o profissional um período formação profissional”, diz Rodrigo Pádua, diretor de Recursos Humanos da Gafisa. Segundo ele, o grupo pretende se fortalecer para um crescimento que virá no curto e médio prazo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Agência do Estado


Ações do setor de construção civil superam com folga alta do Ibovespa

12 maio, 2009

Investidores estrangeiros impulsionam compras de papéis, que acumulam valorização de até três dígitos neste ano

Após terem sido demolidas pelo terremoto financeiro global no final de 2008, as ações das empresas de construção civil estão de volta às carteiras dos investidores estrangeiros, os principais responsáveis pela formação de preços desses ativos financeiros desde que as companhias brasileiras do setor decidiram abrir capital na Bolsa, entre 2005 e 2007.

Ações que chegaram a valer menos de R$ 2,00 acumulam valorização de três dígitos neste ano – e os analistas, ainda às voltas com a redefinição de preços-alvo para o encerramento de 2009, admitem que o espaço para novos avanços não se esgotou. Por trás do otimismo, estão fatores como o pacote habitacional do governo Lula, anunciado no final de março, e as iniciativas para melhorar as condições de crédito das empresas do segmento, envolvendo a Caixa Econômica Federal e o BNDES.

Enquanto o Ibovespa se valorizou 33,31% no ano até o último dia 7, o Imob, índice do setor imobiliário, registrou ganho de 79,09%. Com a percepção de risco Brasil mais favorável e a diminuição da taxa de juros, essas ações, assim como o Ibovespa, têm espaço para manter a recuperação.

Quando as empresas do setor imobiliário fizeram as suas ofertas iniciais de ações (IPOs), desenvolveram estratégias específicas para atrair investidores internacionais, principalmente aqueles com perspectiva de longo prazo e recursos formidáveis à disposição. Cerca de 75% do volume financeiro desses IPOs veio de aplicadores estrangeiros, que precisaram se desfazer das posições aceleradamente no pior momento da crise, entre setembro e outubro passado. Agora, com o ambiente mais favorável e o desconto acumulado pelos papéis, estão de volta.

As mais negociadas

“Recentemente, a Cyrela anunciou que 7,7% de seu capital pertence a um investidor europeu”, diz o analista de construção civil do Banco Fator, Eduardo Silveira, em referência a uma das três empresas do setor com ações incluídas entre as 65 que compõem o Ibovespa. Desde 27 de outubro, quando o principal indicador da Bolsa atingiu o piso de 29 mil pontos, 16 companhias do segmento imobiliário conseguiram superar os 70% de valorização acumulada pelo Ibovespa até o dia 7 de maio.

Cinco empresas concentram a liquidez dos negócios que envolvem ações de construção: Cyrela, Gafisa e Rossi (as três integrantes do Ibovespa), além de MRV e PDG – estas duas com forte atuação em projetos mais próximos ao perfil popular, a área prioritária do pacote habitacional do governo. “Há outras empresas com menor liquidez, como Even, Agra, Abyara e Tecnisa, que também estão em boa recuperação”, destaca Silveira.

Mas, como em qualquer setor, é preciso estar atento aos fundamentos de cada negócio: há situações em que vulnerabilidades específicas deixam algumas ações de fora do boom. É o caso da construtora Klabin Segall, cujo papel acumula perda de 9,4% no ano, na contramão da recuperação do segmento. “A empresa está muito endividada, tanto em relação ao patrimônio como em comparação a concorrentes”, explica a analista Cristiane Viana, da Ágora Corretora.

Especializada em condomínios de casas em cidades do interior, a incorporadora Rodobens, por outro lado, acumula valorização de 65% no ano, bem acima do avanço de 36,8% registrado pelo Ibovespa no período. ”A empresa também foi favorecida pelo programa habitacional do governo, e tem a vantagem de estar bem posicionada em projetos de perfil popular”, diz Cristiane. Mas a Rodobens tem baixa liquidez, com apenas R$ 800 mil em volume financeiro médio diário nos últimos seis meses – o que afugenta investidores que mirem apenas o curto prazo.

“Exposição da empresa à baixa renda, sólida gestão de caixa, alta velocidade de vendas e estoques relativamente baixos são fatores que devem ser observados pelo investidor ao escolher uma ação do setor”, avalia Silveira, para quem a PDG e a Goldfarb se enquadram bem no perfil. “O pacote trouxe ânimo, especialmente para as empresas voltadas à baixa renda.”

No momento, as corretoras estão refazendo os preços-alvo para o ano, aguardando o encerramento da temporada de balanços do primeiro trimestre, na próxima sexta-feira (dia 15), e o recálculo das perspectivas de evolução da taxa básica de juros ao longo de 2009. “No ano passado, no auge da crise, tínhamos uma taxa de juros de 16% ao ano, livre de risco. A situação agora é bem diferente, o que certamente terá efeito nos investimentos em ações. Ainda que as ações de construção tenham avançado bastante em 2009, há uma perspectiva de alta bem favorável até o encerramento do ano, considerando as perdas que se acumularam nos últimos 12 meses”, observa Silveira.

A Tenda, por exemplo, outra empresa bem posicionada em projetos populares e que está entre as que mais se valorizaram neste ano, ainda apresenta perdas de 64% nos últimos 12 meses. “Essas empresas estão vindo de um patamar de valor muito depreciado, até mesmo se comparadas ao Ibovespa. Caíram mais do que o índice, e agora estão subindo acima do Ibovespa”, acrescenta o analista do Fator.

As ações da Tenda chegaram a ser negociadas por menos de R$ 1,00 no pior momento da crise, e acumularam valorização de 193% no ano até o último dia 7. Outras empresas, como Rossi e Rodobens, já bateram os preços-alvo delineados originalmente para o fim de 2009.

Mesmo empresas com atuação em projetos direcionadas à renda mais elevada, como Cyrela, Gafisa e Tecnisa, têm o que ganhar com o realinhamento de cenário. As três possuem de 30% a 35% de seus terrenos vinculados a empreendimentos na faixa entre R$ 350 mil e R$ 500 mil por unidade, de forma que foram beneficiadas pela decisão do governo, também anunciada em março, de estender financiamentos com recursos próprios da conta do FGTS ao teto de meio milhão de reais.

Mas as estrelas são mesmo as empresas melhor posicionadas no mercado popular, o foco do pacote. MRV e Tenda, por exemplo, têm 90% de seus bancos de terrenos vinculados a projetos destinados a consumidores com renda entre seis e dez salários mínimos, que correspondem a 30% da meta do governo de estimular a criação de 1 milhão de habitações.

Impulsionados pela onda de IPOs que engordaram os caixas das empresas, especialmente entre 2006 e 2007, os estoques de terrenos ainda estão elevados, equivalentes a períodos de 18 a 24 meses de vendas. “Para reduzi-los, todas as empresas estão ajustando o número de lançamentos“, observa Silveira.

Fonte: Agência Estado


Viagens, móveis e condomínio grátis. Vale tudo para vender imóveis

12 setembro, 2008

Construtoras recorrem ao marketing de varejo e trocam os tradicionais plantões de venda por lojas em shoppings

Na disputa por espaço dentro do aquecido mercado imobiliário, algumas construtoras têm adotado estratégias próprias do varejo para fisgar clientes. Para alavancar as vendas, algumas têm investido no formato loja, em vez dos tradicionais plantões de venda, e oferecido brindes caprichados, como móveis e até viagens internacionais aos clientes.

No dia 29 de agosto, por exemplo, a construtora Goldfarb, que produz unidades voltadas ao segmento econômico, inaugurou sua primeira loja dentro do Shopping Metrô Itaquera, na zona leste de São Paulo. No local, serão oferecidos produtos a partir de R$ 70 mil.

Recentemente, a empresa ofereceu um ano de taxa de condomínio grátis para quem fechasse negócio. Segundo o gerente de marketing da empresa, Marcelo Abbud, das 130 unidades de valor médio de R$ 110 mil postas à venda nessas condições, 60 foram vendidas em trinta dias. O resultado da estratégia ajuda a engrossar os índices de crescimento do grupo PDG Realty, que detém 80% da Goldfarb. No primeiro semestre de 2008, as vendas contratadas da companhia cresceram 109% em relação a igual período do ano passado, de R$ 752,2 milhões para R$ 1,568 bilhão.

LOCAIS ESTRATÉGICOS

Assumidamente, a inspiração da construtora Tenda para vender produtos vem do varejo. “O cliente é atraído pelas Casas Bahia. A gente sempre usou esse tipo de marketing”, diz André Vieira, diretor-executivo da companhia especializada em imóveis econômicos. Desde que surgiu, a construtora trabalha com lojas no lugar dos plantões de vendas nos empreendimentos. Para ele, pontos-de-venda em locais estratégicos convidam o cliente a entrar, conhecer o produto e saber das condições de compra.

Quem fecha negócio ainda tem chance de levar brindes como cozinhas planejadas, pisos, e móveis. No primeiro semestre, a empresa vendeu 9.741 unidades, num total de R$ 724 milhões.

“A gente tem feito várias promoções nesse sentido. Tem sido um argumento de venda bastante interessante para nós”, diz Ricardo Laham, diretor de incorporação da construtora Company, que sorteou adegas climatizadas e viagens para Punta del Este, no Uruguai, com direito a hospedagem no badalado Hotel Conrad. Os sortudos estão entre os compradores de um empreendimento de alto padrão no Brooklin, na zona sul de São Paulo.

A estratégia, porém, funciona para compradores de unidades de todos os padrões. “Para cada perfil de produto, pensamos numa ação compatível.”

Clientes de um empreendimento na Mooca, zona leste da cidade, por exemplo, foram sorteados para uma viagem a Buenos Aires. E todos que fizeram a pré-reserva de um empreendimento em Cajamar, na grande São Paulo, foram levados este fim de semana para assistir de camarote a um rodeio na cidade. Tudo por conta da construtora.

Pelos números que a companhia ostenta relativos ao fechamento do primeiro semestre, tudo indica que as iniciativas têm dado certo. De janeiro a junho, as vendas da empresa cresceram 261,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram vendidas 1.966 unidades, num valor total de R$ 209,4 milhões.

NÚMEROS

109%
foi o crescimento das vendas da PDG Realty, controladora da
Goldfarb, no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo
período de 2007

261%
foi quanto cresceram as vendas da Company no primeiro semestre, na mesma base de comparação

Fonte: Estadão


Gafisa compra 60% do capital da Tenda

1 setembro, 2008

A incorporadora Gafisa e a construtora Tenda anunciaram um acordo para a integração societária das atividades da Tenda e da Fit Residencial Empreendimentos Imobiliários, subsidiária da Gafisa, de forma a desenvolverem atividades voltadas para o setor imobiliário de baixa renda no Brasil. Após a operação, a Gafisa passará a ser dona de 60% do capital total e votante de Tenda, mantendo-se o porcentual mínimo de ações de Tenda em circulação necessário à permanência da companhia no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

De acordo com comunicado divulgado nesta segunda-feira (01), a Fit será incorporada pela Tenda, que continuará a operar como companhia aberta, tendo suas ações negociadas no Novo Mercado da Bovespa. A operação não acarretará direito de retirada para os acionistas da Tenda.

Na data da incorporação, a Fit deverá ter um capital social de, pelo menos, R$ 420 milhões, totalmente subscrito e integralizado pela Gafisa, e um caixa líquido de, no mínimo, R$ 300 milhões. O Rothschild, grupo que atua em privatização e fusões & aquisições no Brasil, atua como assessor financeiro exclusivo da Fit e Gafisa no negócio e Banco Modal como assessor financeiro da Tenda.

Ações

As ações ordinárias (ON) da Tenda acumularam baixa de 61,32% em agosto. A desvalorização dos papéis da construtora ganhou força após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que frustrou as expectativas do mercado. Nos últimos dias, a queda foi acentuada pela publicação de dois relatórios de bancos, que citaram problemas da Tenda em financiar sua expansão e rebaixaram a recomendação para as ações da empresa.

Na quinta-feira passada (dia 28), a construtora Tenda emitiu comunicado ao mercado afirmando que não havia razões específicas de conhecimento da empresa, para justificar a recente queda das ações.

Um dia depois, na sexta-feira (dia 29), o diretor Administrativo da Tenda, André Vieira, disse que a empresa analisaria quais as melhores alternativas disponíveis para levantar recursos. Segundo Vieira, uma operação poderia ocorrer neste trimestre ou em 2009.

Fonte: Agência Estado