Construtoras fazem liquidação para vender lançamentos

1 setembro, 2009

SÃO PAULO – Com o aumento dos estoques de imóveis ocorrido durante o período alto da crise financeira mundial, construtoras e incorporadoras estão investindo em ações agressivas de marketing para fazer uma verdadeira liquidação de seus lançamentos. É o caso da InPar, que não efetuou lançamentos em 2009. Segundo a gerente de Marketing, Giancarla Medeiros, “todas as ações promocionais têm como objetivo vender mais”.

Sem lançamentos, a InPar trabalha duro para ter liquidez de estoque. Conforme os seus resultados do segundo trimestre, a empresa tinha cerca de R$ 845,8 milhões em valor geral de vendas (VGV), em estoque. Deste montante, R$ 294,8 representam lançamentos de 2008. Boa parte dessas unidades à disposição, R$ 505,9 milhões em VGV, também eram unidades lançadas, porém em 2007. “Conforme o seu foco, você faz ações todos os fins de semana para atrair as pessoas”, diz Giancarla.

Ela conta que já reuniu cerca de 3 mil pessoas em um empreendimento no Espírito Santo, no qual houve uma apresentação da banda Paralamas do Sucesso. Mas a estratégia promocional da InPar não se limita às unidades em estoque. “Estamos em uma retomada de lançamentos”, afirma Giancarla. A empresa programa um lançamento, o Mairare, para outubro, em São Paulo.

Dinheiro

O fato é que aumentar o número de pessoas nos lançamentos automaticamente gera um acréscimo na velocidade de vendas. “Nós vendemos mais rápido as unidades de empreendimentos que têm alguma promoção ou atividade”, completa Giancarla.

Para liquidar as unidades de 33 de seus empreendimentos já lançados, a Even promove uma ação que chama a atenção pela proposta: dar R$ 1 mil para quem visitar seus imóveis e mesmo assim comprar do concorrente. Essa ação, que parece apelativa, é apoiada no crescimento do número de visitas.

Segundo o diretor de Marketing da Even, Meyer Cohen, a promoção deve aumentar em 70% o número de visitas aos empreendimentos. “Oferecer esse valor às pessoas que compram do concorrente tem um objetivo simples: as pessoas com certeza visitarão nossas unidades antes de procurar o concorrente”, afirma Cohen.

Mas existem alguns limites, como medidas semelhantes, preços com pequenas diferenças e proximidade na localização dos empreendimentos entre os imóveis.

Off-road

No final de semana, a Tecnisa montou uma pista para off-road e disponibilizou seis veículos Land Rover aos clientes no local de vendas do Vila Nova Reserved, na Vila Nova Conceição, em São Paulo. Compareceram ao local 214 pessoas, e 56 visitaram o estande de vendas. A gerente de Marketing da Tecnisa, Renata Malucelli, diz que o objetivo principal era “aumentar o fluxo de pessoas no estande de vendas”.

Fonte: DCI – Diário, Comércio, Indústria & Serviços


Cresce importância da internet na venda de imóveis

19 agosto, 2009

Tecnisa informa que 27% das vendas no ano passado foram iniciadas pela rede de computadores. Na MRV, o percentual é de 20%.

A internet vem ganhando importância nas vendas de imóveis. Além de informações sobre as próprias empresas, está cada vez mais comum que os sites das incorporadoras e imobiliárias ofereçam serviços de corretores online que ajudam a esclarecer dúvidas de potenciais consumidores e, muitas vezes, agendam visitas aos plantões de vendas ou imóveis prontos. Embora os consumidores, na imensa maioria dos casos, não comprem a casa própria pela internet, o uso da rede para comparar os imóveis oferecidos por diferentes empresas, para buscar informações sobre as incorporadoras e imobiliárias tem sido recorrente. As companhias têm utilizado também redes sociais como Orkut para direcionar internautas para seus sites. Segundo representantes do setor imobiliário, a tendência é de um aumento das vendas de imóveis iniciada pela internet.

No ano passado, a Tecnisa registrou venda de 508 imóveis originadas pela internet em São Paulo, o correspondente a 27% do total comercializado no estado no período. As vendas da empresa iniciadas na internet aumentaram 43% em 2008, comparando-se com 2007. A companhia tem apostado nas chamadas redes sociais para direcionar visitas ao seu site. No primeiro semestre deste ano, 15% das visitas ao site da Tecnisa partiram do blog da empresa, de mensagens no Twitter e de conteúdos postados, por exemplo, no Orkut e Facebook. Os clientes que buscam informações online são atendidos por corretores por meio de chat, e-mail, videoconferência ou ainda pelo telefone. A Tecnisa espera que o formato de videoconferência responda por 10% do atendimento online no fim deste ano.

As vendas originadas pela internet respondem por 20% dos negócios da MRV Engenharia, e a expectativa é que esse porcentual aumente, conforme o gestor executivo de Marketing da companhia, Rodrigo Resende. A empresa deu início ao sistema de venda online em 1996, focando brasileiros que viviam no exterior e estavam interessados em comprar um imóvel no País. Nos últimos cinco anos, o foco das atenções das vendas da MRV pela internet passou a ser o consumidor que vive no Brasil. Atualmente, a MRV possui 140 corretores online, que acompanham os potenciais compradores nas visitas físicas ao imóvel ou, se necessário, direcionam os clientes para profissionais da empresa baseados em outras regiões. Segundo o executivo da MRV, mais de 70% dos clientes visitam o site para buscar informações sobre os produtos oferecidos. Assim como a Tecnisa, a MRV faz uso de redes sociais para atrair potenciais compradores para seu site.

Acesso é feito no horário comercial

A classe C responde pela maior fatia das 2.000 pessoas que a MRV atende online por dia, de acordo com Resende. O diretor de lançamentos e de marketing do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), Fabio Rossi, destaca que parte de quem busca imóveis pela internet não tem acesso em casa à rede mundial de computadores. No caso da Itaplan, imobiliária da qual Rossi é diretor de marketing, o site é mais acessado por potenciais compradores de imóveis entre 7h e 8h30, no horário de almoço e no final do expediente. Cerca de 38% das vendas da Itaplan são iniciadas pela internet.

Segundo a diretora de Marketing da Tenda, Dirce Amaral, 80% dos acessos ao site da companhia são feitos pelos potenciais consumidores durante o dia no trabalho. Parte das pré-vendas da Tenda é feita no site da empresa. Até abril, os corretores tradicionais também atendiam a demandas dos clientes pela internet, mas, desde então, passaram a oferecer atendimento online exclusivo. A oferta do serviço começou pelo Rio de Janeiro e é hoje nacional, com foco nos mercados fluminense, de São Paulo e de Porto Alegre. A empresa conta com 24 pontos de atendimento, sendo dez deles somente para o Rio. Os consumidores podem conversar com atendentes pelo chat, fazer agendamento para tirar dúvida pelo telefone ou marcar horário para serem recebidos em uma loja da Tenda.

No caso da Gafisa, os negócios iniciados na internet respondem por 25% do volume comercializado pela Gafisa Vendas, braço de vendas da companhia. A grande maioria dos consumidores apenas dá início ao processo de compra pela internet, mas há, por exemplo, investidores que vivem no exterior e já conhecem a companhia que concluem o processo de decisão pela rede, segundo o diretor de vendas e marketing da Gafisa, Luiz Carlos Siciliano. Conforme o executivo, praticamente toda a comercialização dos imóveis da companhia passa de alguma forma pelo site de vendas da Gafisa ou da imobiliária que está responsável pela negociação do empreendimento.

Fonte: Por Chiara Quintão – Essa reportagem foi originalmente publicada no AE Empresas e Setores, serviço de informações e análises sobre o setor corporativo da Agência Estado.


Construtoras retomam vendas para classe média

28 julho, 2009

Num momento em que as incorporadoras voltam cada vez mais suas atenções para o segmento de econômico, principalmente por causa do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, o mercado começa a se deparar também com o início da retomada da demanda por imóveis destinados às faixas de renda média e média-alta. Essa tendência já aparece no desempenho, no segundo trimestre, das vendas contratadas de incorporadoras que não têm foco nas faixas de renda contempladas no pacote e que já divulgaram prévias operacionais.

Um dos principais estímulos para a demanda de unidades pelo segmento médio foi a ampliação do limite do valor máximo do imóvel a ser financiado com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de R$ 350 mil para R$ 500 mil. “A velocidade de vendas de imóveis na faixa de R$ 350 mil a R$ 500 mil aumentou no segundo trimestre”, afirma o diretor Comercial da Tecnisa, Douglas Duarte.

A melhora do cenário macroeconômico também contribui para a tomada de decisão de compra pelos consumidores. “As empresas pararam de demitir e estão percebendo a necessidade de começar a admitir de novo”, diz Duarte. No segundo trimestre, as vendas contratadas da Tecnisa somaram R$ 298,5 milhões (parte da companhia), 10% a menos que no mesmo período do ano passado, mas 10% acima do valor vendido no primeiro trimestre. A Tecnisa lançou R$ 40,5 milhões no trimestre, cifra 86,6% menor que a do mesmo intervalo de 2008. Os estoques responderam por 93% das vendas.

“Houve impacto positivo da ampliação do limite do financiamento do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e do FGTS. Não temos visto postergação da decisão de compra”, afirma o diretor executivo de Investimentos da Brookfield Incorporações, Alessandro Vedrossi. A Brookfield registrou vendas contratadas de R$ 568,5 milhões no segundo trimestre, 77% a mais que no mesmo período do ano passado e 86% maiores que as do primeiro trimestre. Do total, o segmento residencial foi responsável por R$ 387 milhões, e o de escritórios, por R$ 181 milhões.

No segmento econômico (imóveis residenciais até R$ 130 mil), a Brookfield vendeu R$ 13,9 milhões, 37% a menos que no segundo trimestre de 2008. Na faixa de renda média-baixa (R$ 130 mil a R$ 350 mil), as vendas cresceram 80%, para R$ 188,3 milhões. No segmento médio (R$ 350 mil a R$ 500 mil), houve expansão de 17%, para 44,1 milhões. Na classe média-alta (R$ 500 mil a R$ 1 milhão), as vendas caíram 24%, para 54,2 milhões. Na alta renda (acima de R$ 1 milhão), o aumento foi de 61%, para 79,3 milhões. A companhia lançou R$ 587,5 milhões no segundo trimestre, sendo R$ 351,3 milhões para o segmento residencial, com todas as unidades até R$ 500 mil.

CONDOMÍNIOS-CLUBE
A Even Construtora e Incorporadora registrou vendas contratadas de R$ 252,9 milhões no segundo trimestre (parte da companhia), 100,8% a mais que no primeiro trimestre. Do total, R$ 99,5 milhões foram vendas de lançamentos do próprio trimestre e R$ 153,4 milhões de estoques. Os segmentos médio, médio-alto e alto responderam por 82% das vendas de estoque. “No primeiro trimestre, houve retração por parte da média e média-alta renda, pois o consumidor estava receoso de perder o emprego”, diz o diretor de Incorporação da Even, João Azevedo.

Com a ampliação do financiamento com recursos da poupança e do FGTS, a demanda foi retomada por unidades de R$ 350 mil a R$ 500 mil, principalmente de condomínios-clube, de acordo com Azevedo. A Even não fez lançamentos nessa faixa no segundo trimestre, dando prioridade à venda de estoques, mas pretende lançar projetos para o médio padrão no terceiro trimestre. Dos seis lançamentos da Even no segundo trimestre, quatro foram no segmento econômico (até R$ 200 mil) e dois na faixa média-alta.

A EZ Tec, que atua em todas as faixas de renda, com foco em empreendimentos para média e média-alta renda, vendeu R$ 243,5 milhões no segundo trimestre, 70,6% a mais que no mesmo período do ano passado. Do total vendido, a maior parte se concentrou no segmento comercial, cujas vendas foram impulsionadas pelo lançamento, em maio, do Capital Corporate Office, maior projeto que a EZ Tec já desenvolveu. No trimestre, a companhia lançou também um projeto residencial de alto padrão, com valor médio das unidades de R$ 1,4 milhão. Segundo o vice-presidente e diretor de Incorporação da EZ Tec, Silvio Zarzur, houve retomada da demanda por unidades de médio e alto padrão desde o início do ano.

Fonte: Último Segundo – Agência Estado


Construção confia em”boom” no 2º semestre

21 julho, 2009

SÃO PAULO – O setor de construção civil começa o segundo semestre para lá de otimista, depois de passar praticamente ileso pela crise financeira mundial, quando a rotina das construtoras e incorporadoras brasileiras começa a retomar o cenário do ano passado no pré-crise, com anúncios recordes de vendas e lançamentos. As prévias dos resultados operacionais divulgadas pelas empresas do setor indicam vendas superiores a 200%, em alguns casos. Entre os motivos estão a retomada do crédito e a criação do programa do Governo “Minha Casa, Minha Vida”, que despertou no cidadão o sonho de adquirir a casa própria.

Já é esperada para os próximos três anos uma média de 70 mil novas unidades só na cidade de São Paulo – todas voltadas para a camada de baixa renda, como afirma o presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana.

“Vemos agora um mercado mais disciplinado, regulamentado e que continuará crescendo cerca de 5% ao ano nos próximos anos”, diz Crestana, ao ressaltar que 2007 foi um ano excelente, quando houve um aumento de 70% no número de unidades vendidas ante 2006.

Crestana aposta em retomada do crescimento, passado o baque da crise. Mesmo que o ritmo de aceleração não repita o alcançado no ano passado, a tendência é de alta, segundo ele.

Plano

Segmentada ao público de baixa renda desde 1962 com empreendimentos residenciais com valor máximo de R$ 100 mil, a Cury Construtora e Incorporadora comemora o sucesso do lançamento Dez Vila Curuçá, na Zona Leste de São Paulo. Apenas em seis dias, o empreendimento teve 100% de suas 252 unidades vendidas, todas pelo programa “Minha Casa Minha Vida”.

Fábio Cury, presidente da empresa, comemora o sucesso do programa e já projeta um crescimento de 40% nos negócios para este ano. “Já esperávamos um aumento significativo, independentemente do programa do governo. Porém, seguramente, ele {programa} veio para contribuir ainda mais”, diz o executivo que tem hoje 17 mil unidades em análise na Caixa e outros seis empreendimentos pré-aprovados na faixa dos 3 a 6 salários mínimos.

A Tecnisa, no entanto, é uma construtora especializada em empreendimentos de alto padrão. Mas, o presidente Carlos Alberto Júlio não só confirma o interesse na companhia neste segmento como já vem baixando o ticket médio de seus empreendimentos. Em 2006, o preço médio dos lançamentos foi de R$ 450 mil; em 2007, de R$ 362 mil. Em 2008, o ticket médio da Tecnisa foi de R$ 322 mil.

“Ingressar neste segmento será um grande desafio para nós, queremos fazer um trabalho sério, apresentar empreendimentos de qualidade, e sermos em breve, uma empresa “premium”, para imóveis de baixa renda”, diz Júlio reforçando o interesse na empresa com a recém-criada diretoria de produtos voltados à faixa econômica com a contratação de Newman Brito.

Na mesma esteira segue a Ezetec Empreendimentos e Participações. Com empreendimentos voltados exclusivamente para residenciais de médio alto padrão, no ano passado a companhia criou a marca Mix Residencial, área dirigida ao público de baixa renda, com imóveis entre R$ 90 mil a R$ 150 mil. Parece que a novidade tem dado certo, já que 90% de um residencial no bairro paulistano da Penha já foi vendido.

Emílio Fugazza, diretor financeiro e de Relações com Investidores da Ezetec, diz ter buscado por meio de parcerias, a expertise necessária para ingressar neste ramo. “Buscamos as pequenas e médias construtoras que trabalham muito bem na elaboração destes projetos e o que fizemos foi nos tornarmos parceiras. Atender este público é atender milhares de pessoas, a estrutura não é a mesma, onde procuramos atender nossos clientes pessoalmente, no caso de uma inadimplência, por exemplo”.

Segundo a prévia do balanço do segundo trimestre de 2009, a empresa Ezetec totalizou R$ 299,9 milhões em lançamentos, crescimento de 37,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano, o crescimento foi de 7,9%, representando R$ 354,3 milhões.

As vendas contratadas no segundo trimestre alcançaram R$ 243,5 milhões, aumento de 70,6% em relação a 2008, dos quais R$ 28,8 milhões são referentes a unidades lançadas em trimestres anteriores. No acumulado do ano houve um crescimento de 36,2%, totalizando R$ 313,1 milhões. As vendas no primeiro semestre de 2009 já representam 87,5% do total das vendas contratadas em 2008.

Vendas

Outra a ver suas vendas dobrarem neste segundo semestre do ano foi a Even Construtora, segundo a prévia do que pode vir a ser contabilizado no balanço. A empresa registrou um volume de vendas contratadas de R$ 253 milhões.

Os lançamentos passaram de R$ 54,2 milhões para R$ 176,4 milhões no período, crescimento de 225,4%, divididos em seis empreendimentos, localizados nas cidades de São Paulo, Campinas, Guarulhos e Belo Horizonte. Do total de lançamentos, 56% foram vendidos dentro do próprio trimestre. Já o volume de vendas de estoque teve crescimento significativo, passando do patamar de R$ 29 milhões em abril para R$ 83,4 milhões em junho.

Já Luiz Rogélio Tolosa, diretor de Relações Institucionais e com Investidores da Brookfield Incorporações, antiga Brascan Residential Properties, credita ao trabalho da mídia o aumento no número de visitação aos estantes, já que reforça a possibilidade em adquirir a casa própria, sem deixar de mencionar também facilidades como o aumento de subsídio do governo para o setor.

“A incorporadora tem hoje 9% dos seus lançamentos na faixa entre R$ 60 mil e R$ 130 mil e digo que a velocidade de venda deste segmento é infinitamente superior ao da alta renda. Percebi um grande volume de vendas sendo gerado em Cajamar (SP), Taboão da Serra (SP), Jundiaí, no interior de São Paulo e em Goiânia (GO)”, diz o executivo que também acredita que o fato de a população brasileira ter 50% dela na faixa de menos de 25 anos contribui com o aumento no número de vendas.

As vendas contratadas da Brookfield Incorporações, no segundo trimestre de 2009 somaram R$ 568,5 milhões, um aumento de 77,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No acumulado do primeiro semestre de 2009, as vendas totalizaram R$ 875 milhões, o que corresponde a 76,3% do total vendido durante todo o ano de 2008.

Entre abril e junho, o segmento residencial foi responsável por 68,1% das vendas. Já no acumulado do ano, os empreendimentos residenciais responderam por 76,4% do volume total de vendas da Companhia.

Neste período, as unidades com preço médio abaixo de R$ 500 mil representaram 77,8% das vendas totais do segmento residencial, faixa de produtos beneficiada com o aumento do limite do financiamento imobiliário junto ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

O setor de construção civil começa o segundo semestre com otimismo redobrado, depois de passar praticamente ileso pela crise financeira mundial. Agora, a rotina das construtoras e incorporadoras brasileiras começa a retomar o cenário do ano passado no período pré-crise, com anúncios recordes de vendas e lançamentos. As prévias dos resultados divulgadas pelas empresas do setor indicam crescimento de vendas de até 200%, em alguns casos. Entre os motivos estão a retomada do crédito e a criação do programa do governo “Minha Casa, Minha Vida”, que facilita a compra de imóveis.

Já é esperada para os próximos três anos uma média de 70 mil novas unidades anuais só na cidade de São Paulo – todas voltadas para a camada de baixa renda, segundo o presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana.

A Cury Construtora e Incorporadora comemora o sucesso do lançamento Dez Vila Curuçá, na zona Leste de São Paulo. Em seis dias, o empreendimento teve 100% de suas 252 unidades vendidas, todas pelo programa “Minha Casa Minha Vida”, afirma o presidente da empresa, Fábio Cury, que projeta crescimento de 40% nos negócios este ano.

Para a Ezetec Empreendimentos e Participações, que criou um braço para o segmento econômico, com imóveis de R$ 90 mil a R$ 150 mil, o segundo semestre deve ser melhor ainda que o primeiro. Emílio Fugazza, diretor de Relações com Investidores, garante que deu certo a estratégia de buscar “pequenas e médias construtoras que trabalham muito bem na elaboração destes projetos”. Segundo a prévia do balanço do segundo trimestre de 2009, a Ezetec totalizou R$ 299,9 milhões em lançamentos, crescimento de 37,3% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas contratadas no período aumentaram 70,6% em relação a 2008.

Para Luiz Rogélio Tolosa, diretor de Relações com Investidores da Brookfield Incorporações, já foi possível sentir aumento no número de visitação aos estandes. “A incorporadora tem hoje 9% dos seus lançamentos na faixa entre R$ 60 mil e R$ 130 mil e digo que a velocidade de venda deste segmento é infinitamente superior ao da alta renda”, afirmou.

Fonte: DCI – Diário Comércio, Indústria & Serviços


Ações do setor de construção civil superam com folga alta do Ibovespa

12 maio, 2009

Investidores estrangeiros impulsionam compras de papéis, que acumulam valorização de até três dígitos neste ano

Após terem sido demolidas pelo terremoto financeiro global no final de 2008, as ações das empresas de construção civil estão de volta às carteiras dos investidores estrangeiros, os principais responsáveis pela formação de preços desses ativos financeiros desde que as companhias brasileiras do setor decidiram abrir capital na Bolsa, entre 2005 e 2007.

Ações que chegaram a valer menos de R$ 2,00 acumulam valorização de três dígitos neste ano – e os analistas, ainda às voltas com a redefinição de preços-alvo para o encerramento de 2009, admitem que o espaço para novos avanços não se esgotou. Por trás do otimismo, estão fatores como o pacote habitacional do governo Lula, anunciado no final de março, e as iniciativas para melhorar as condições de crédito das empresas do segmento, envolvendo a Caixa Econômica Federal e o BNDES.

Enquanto o Ibovespa se valorizou 33,31% no ano até o último dia 7, o Imob, índice do setor imobiliário, registrou ganho de 79,09%. Com a percepção de risco Brasil mais favorável e a diminuição da taxa de juros, essas ações, assim como o Ibovespa, têm espaço para manter a recuperação.

Quando as empresas do setor imobiliário fizeram as suas ofertas iniciais de ações (IPOs), desenvolveram estratégias específicas para atrair investidores internacionais, principalmente aqueles com perspectiva de longo prazo e recursos formidáveis à disposição. Cerca de 75% do volume financeiro desses IPOs veio de aplicadores estrangeiros, que precisaram se desfazer das posições aceleradamente no pior momento da crise, entre setembro e outubro passado. Agora, com o ambiente mais favorável e o desconto acumulado pelos papéis, estão de volta.

As mais negociadas

“Recentemente, a Cyrela anunciou que 7,7% de seu capital pertence a um investidor europeu”, diz o analista de construção civil do Banco Fator, Eduardo Silveira, em referência a uma das três empresas do setor com ações incluídas entre as 65 que compõem o Ibovespa. Desde 27 de outubro, quando o principal indicador da Bolsa atingiu o piso de 29 mil pontos, 16 companhias do segmento imobiliário conseguiram superar os 70% de valorização acumulada pelo Ibovespa até o dia 7 de maio.

Cinco empresas concentram a liquidez dos negócios que envolvem ações de construção: Cyrela, Gafisa e Rossi (as três integrantes do Ibovespa), além de MRV e PDG – estas duas com forte atuação em projetos mais próximos ao perfil popular, a área prioritária do pacote habitacional do governo. “Há outras empresas com menor liquidez, como Even, Agra, Abyara e Tecnisa, que também estão em boa recuperação”, destaca Silveira.

Mas, como em qualquer setor, é preciso estar atento aos fundamentos de cada negócio: há situações em que vulnerabilidades específicas deixam algumas ações de fora do boom. É o caso da construtora Klabin Segall, cujo papel acumula perda de 9,4% no ano, na contramão da recuperação do segmento. “A empresa está muito endividada, tanto em relação ao patrimônio como em comparação a concorrentes”, explica a analista Cristiane Viana, da Ágora Corretora.

Especializada em condomínios de casas em cidades do interior, a incorporadora Rodobens, por outro lado, acumula valorização de 65% no ano, bem acima do avanço de 36,8% registrado pelo Ibovespa no período. ”A empresa também foi favorecida pelo programa habitacional do governo, e tem a vantagem de estar bem posicionada em projetos de perfil popular”, diz Cristiane. Mas a Rodobens tem baixa liquidez, com apenas R$ 800 mil em volume financeiro médio diário nos últimos seis meses – o que afugenta investidores que mirem apenas o curto prazo.

“Exposição da empresa à baixa renda, sólida gestão de caixa, alta velocidade de vendas e estoques relativamente baixos são fatores que devem ser observados pelo investidor ao escolher uma ação do setor”, avalia Silveira, para quem a PDG e a Goldfarb se enquadram bem no perfil. “O pacote trouxe ânimo, especialmente para as empresas voltadas à baixa renda.”

No momento, as corretoras estão refazendo os preços-alvo para o ano, aguardando o encerramento da temporada de balanços do primeiro trimestre, na próxima sexta-feira (dia 15), e o recálculo das perspectivas de evolução da taxa básica de juros ao longo de 2009. “No ano passado, no auge da crise, tínhamos uma taxa de juros de 16% ao ano, livre de risco. A situação agora é bem diferente, o que certamente terá efeito nos investimentos em ações. Ainda que as ações de construção tenham avançado bastante em 2009, há uma perspectiva de alta bem favorável até o encerramento do ano, considerando as perdas que se acumularam nos últimos 12 meses”, observa Silveira.

A Tenda, por exemplo, outra empresa bem posicionada em projetos populares e que está entre as que mais se valorizaram neste ano, ainda apresenta perdas de 64% nos últimos 12 meses. “Essas empresas estão vindo de um patamar de valor muito depreciado, até mesmo se comparadas ao Ibovespa. Caíram mais do que o índice, e agora estão subindo acima do Ibovespa”, acrescenta o analista do Fator.

As ações da Tenda chegaram a ser negociadas por menos de R$ 1,00 no pior momento da crise, e acumularam valorização de 193% no ano até o último dia 7. Outras empresas, como Rossi e Rodobens, já bateram os preços-alvo delineados originalmente para o fim de 2009.

Mesmo empresas com atuação em projetos direcionadas à renda mais elevada, como Cyrela, Gafisa e Tecnisa, têm o que ganhar com o realinhamento de cenário. As três possuem de 30% a 35% de seus terrenos vinculados a empreendimentos na faixa entre R$ 350 mil e R$ 500 mil por unidade, de forma que foram beneficiadas pela decisão do governo, também anunciada em março, de estender financiamentos com recursos próprios da conta do FGTS ao teto de meio milhão de reais.

Mas as estrelas são mesmo as empresas melhor posicionadas no mercado popular, o foco do pacote. MRV e Tenda, por exemplo, têm 90% de seus bancos de terrenos vinculados a projetos destinados a consumidores com renda entre seis e dez salários mínimos, que correspondem a 30% da meta do governo de estimular a criação de 1 milhão de habitações.

Impulsionados pela onda de IPOs que engordaram os caixas das empresas, especialmente entre 2006 e 2007, os estoques de terrenos ainda estão elevados, equivalentes a períodos de 18 a 24 meses de vendas. “Para reduzi-los, todas as empresas estão ajustando o número de lançamentos“, observa Silveira.

Fonte: Agência Estado


Tecnisa lança imóveis no Youtube

19 abril, 2009

A Tecnisa lançou seu canal no Youtube. A iniciativa é mais uma forma para aumentar a visibilidade da marca no meio on-line. No canal, o internauta encontrará mais de 100 vídeos postados pela construtora que tratam de ações sociais, além de entrevistas com executivos, projetos diferenciados e lançamentos de empreendimentos imobiliários.

Além do site de vídeos no endereço www.youtube.com.br/tecnisa, a empresa do mercado imobiliário também utiliza outras ferramentas da internet como o Twitter, Facebook e Slideshare para propagar sua marca na Web.

Fonte: Mundo do Marketing


Tecnisa vende mais imóveis pela Web

16 abril, 2009

Em 2008, os canais da Tecnisa na Internet originaram a venda de 506 imóveis, o que equivale a 27% do total de unidades comercializadas no estado de São Paulo.

“A boa performance da Internet para alavancar vendas é resultado de sete anos de um trabalho contínuo no meio digital para colocar a marca Tecnisa onde o consumidor está”, destaca o diretor de Marketing da empresa, Romeo Busarello.

No ano passado, as vendas da companhia via web cresceram 43% em relação a 2007. Para alavancar este crescimento, a empresa apostou em um blog corporativo, que foi todo reformulado e levou o Prêmio Abanet de Melhor Site do Mercado, além de receber reconhecimento internacional do Google pelo uso de links patrocinados.

Além disso, a Tecnisa apostou em redes sociais como Twitter e Facebook, Slideshare, Flickr e Youtube. “Também contratamos um gestor de redes sociais e um jardineiro de web”, conta Busarello.

Conforme o diretor, o trabalho focado em redes sociais aumentou em 132% a busca por apartamentos no site da Tecnisa em 2008, em relação ao ano anterior.

“Em nosso site, o internauta pode obter informações sobre imóveis, inclusive preço e condições de financiamento. Além disso, encontra várias formas de contato até a meia noite, todos os dias da semana, e pode escolher ser atendido pelos corretores online por chat, e-mail, videoconferência ou ainda pedir que a Tecnisa ligue em 15 segundos para o telefone que indicar”, finaliza Busarello.

Hoje, 40 corretores da Tecnisa trabalham exclusivamente para atender as demandas originadas na Internet


Setor de imóveis troca estande pelo mouse

9 janeiro, 2009

Há um ano, a gerente comercial Daniela Camarinha, de 35 anos, não aguentava mais procurar apartamento. Com um filho recém-nascido e um marido cujo tempo livre era difícil de conciliar com o seu, ela se viu obrigada a procurar uma solução alternativa para encontrar um novo lar para a família. Decidiu iniciar a compra do imóvel pela internet. “Eu já conhecia a marca Tecnisa, descobri que eles tinham um site bastante completo, que permitia visualizar com detalhes o estágio das obras, e me senti segura para comprar”, diz Daniela, que escolheu um apartamento em Moema, de cerca de R$ 550 mil.

tecnisa3Todo o processo, que durou cerca de dez dias, foi encaminhado on-line, com direito a tira-dúvidas em tempo real, altas horas da noite. Por meio de chat e e-mail, Daniela e o marido elucidaram desde questões básicas, como os serviços oferecidos, até a documentação necessária e as formas de pagamento. Mesmo a contraproposta do marido, que preferia quitar o imóvel em pouquíssimas parcelas, foi aceita on-line. Até a assinatura no cartório, só uma visita foi feita ao empreendimento.

O mercado imobiliário está cada dia mais disposto a fisgar compradores que estejam ao alcance do mouse, como Daniela. Principalmente neste momento de crise econômica, as incorporadoras vêem na internet a chance de diminuir os custos de venda. “Vender pela internet custa 70% menos do que no ‘mundo real’”, afirma Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa. Os principais ganhos são no custo do estande e dos telefones à disposição dos corretores.

A Tecnisa é uma das construtoras mais adiantadas em venda on-line, que hoje representa mais de um quarto (27%) das suas vendas totais. No acumulado de 2008, até 30 de novembro, 480 apartamentos tiveram sua compra encaminhada via internet. A expectativa é de que 30% das aquisições em 2009 tenham início a partir do site da empresa.

Hoje, a equipe on-line da Tecnisa soma 52 corretores, que atendem 24 horas por dia. Há seis anos, quando o site foi lançado, eram apenas dois vendedores. “Quando está em obra, o empreendimento não tem estande, o que faz o consumidor perder o interesse em visitar o local. Nesses casos, a tecnologia torna-se uma ferramenta bem mais eficaz para atraí-lo”, diz Busarello.

Não por acaso, a internet vai receber mais investimentos de marketing em 2009. “Vamos redirecionar nossas verbas: dos atuais 20%, a propaganda on-line passará a receber 24% do orçamento total, enquanto o jornal, que concentra 45% dos recursos, deve ficar com 42%”, diz Busarello. Ao todo, a previsão é de que o investimento em marketing da Tecnisa em 2009 vai somar R$ 30 milhões, mesmo patamar de 2008.

Outra grande incorporadora, a Rossi, pretende manter neste ano o mesmo patamar de investimentos em marketing de 2008, cujo valor não é revelado. A verba investida destinada aos links patrocinados, porém, vai dobrar. Os links são anúncios que aparecem ao lado dos resultados das buscas dos usuários de internet. “Trata-se de uma ferramenta que oferece grande retorno”, diz Viviane Cukiero, gerente de marketing institucional. Atualmente, a Rossi patrocina cerca de 90 mil palavras em links dos portais de busca Google e Yahoo.

Na opinião do diretor de vendas da Rossi, Klaus Monteiro, o melhor é que a web permite filtrar o interesse do cliente. “O tempo para que ele se decida sobre a compra cai para um terço, uma vez que o consumidor não precisa visitar todos os empreendimentos”, diz o executivo, que mantém 50 corretores – o equivalente a um quinto da sua equipe de vendas – exclusivamente para o atendimento on-line. Hoje, são 120 mil acessos ao mês.

Em 2009, a projeção é de que o número total de corretores vai subir de 250 para 350, sendo que 120 desses profissionais estarão voltados para as vendas on-line. “No ano passado, cerca de 20% dos imóveis vendidos tiveram sua aquisição encaminhada pela web e a nossa expectativa é de que, em 2009, esse índice atinja 30%”, afirma Monteiro.

Na Cyrela, a venda iniciada pela internet representou cerca de 12% das vendas globais da incorporadora no ano passado. “Em 2009, esse total deve ficar entre 15% e 20%”, diz Ubirajara Spessotto, diretor geral da Cyrela. Em relação à verba de marketing, o executivo avalia que a web permite uma medição de retorno sobre investimentos (ROI, na sigla em inglês) melhor do que as mídias tradicionais. Isso porque é possível saber com precisão quais caminhos o consumidor trilhou até chegar ao site da incorporadora, algo mais difícil de descobrir em relação a quem chega ao estande.

“Para nós, em 2009, não é a audiência que vai determinar os investimentos em mídia, e sim os hábitos do público-alvo, algo que pode ser acompanhado com eficiência pela internet”, diz Spessotto. Ele também reforça a aposta em mídias alternativas, como espaços em academias de ginástica e restaurantes próximos dos projetos da Cyrela.

Dos atuais 280 clientes da NetCallCenter-Orbium – fornecedora de software de gestão de relacionamento com o consumidor -, mais de 30 são do mercado imobiliário, que despontou nos últimos dois anos como um dos principais setores atendidos pela empresa de tecnologia. “As incorporadoras vêm percebendo que o velho modelo do corretor sentado no estande, à espera dos clientes, é pouco produtivo”, afirma Marcelo Amorim, presidente da NetCallCenter-Orbium. Hoje, o consumidor quer resolver boa parte da sua vida on-line, para ganhar tempo, diz ele. “Se uma ferramenta permite visualizar, pelo computador, o quarto em três dimensões para saber se cabe a cama do filho, por exemplo, por que o consumidor rodaria de estande em estande para conferir essa informação?”, questiona.

Amorim, que tem a construtora Even entre os clientes do setor de imóveis, lembra que o rápido avanço das conexões em banda larga nos lares brasileiros tem incentivado as incorporadoras a tornar sua abordagem on-line mais sofisticada. “Os consumidores podem conversar com o corretor virtual, tirar dúvidas por meio de chats ou videoatendimento”, diz o executivo. Dessa forma, conclui, só visita o estande quem está realmente disposto a comprar. “A incorporadora não gasta tempo e dinheiro com quem não está interessado”.

Fonte: Valor


Construtora cresce com vendas pela Internet

19 dezembro, 2008

SÃO PAULO – Em época de crise, a maioria dos empresários imagina desacelerar e direcionar os investimentos para mídias conservadoras. Nada de arriscar. Mas as crises econômicas que o Brasil enfrentou nos últimos anos mostram que atitudes ousadas muitas vezes podem levar ao sucesso. O certo é que investir em tecnologia tem dado bons retornos.

mouseclickA construtora Tecnisa, que está entre as cinco maiores do País, tem provado isso. Recentemente criou uma nova categoria profissional: o jardineiro de web, que tem a tarefa de navegar pelo site e pelo blog corporativo da empresa procurando por pequenos bugs de script ou codificação. O jardineiro também deve indicar necessidade de atualização de conteúdo, conta Gustavo Reis, gerente de mídia online da Tecnisa.

Segundo ele, o jardineiro surgiu de uma necessidade específica da empresa que é manter constantemente a plataforma ativa. “Temos tabelas de preço, modelos de financiamentos, ilustrações de plantas, vídeo de acompanhamento da obra. A idéia é que esse profissional garimpe todo o nosso portal. Ele precisa cultivar o site exatamente como se cultiva o jardim, tirando o que está obsoleto do ar, colocando novas informações para que o site permaneça sempre vivo”.

Uma árdua tarefa, já que a Tecnisa mantém um plantão de atendimento online 24 horas. Além disso, 28% do faturamento da empresa vêm das vendas online, sendo que 80% das vendas efetivadas passam antes pela web. Essa talvez tenha sido a grande “sacada” da Tecnisa em relação à concorrência. Por e-mail, chat, MSN, video-atendimento, skype, as pessoas conseguem se comunicar com os corretores online da empresa.

“A internet permite que o cliente obtenha as informações que quer sem ter necessidade da proximidade com o corretor de vendas. O estigma dos corretores de imóveis é ainda muito grande. A internet tem a vantagem de oferecer o anonimato e atendimentos online mais breves e eficientes do que o telefone. Não é necessário o fornecimento de dados pessoais, apenas quando a negociação já se encontra bem encaminhada”, diz Gustavo Reis.

Na internet, a empresa está em 52 veículos diferentes, o que inclui até site de time de futebol. Mantém, por exemplo, anúncios no portal do São Paulo Futebol Clube. Pela parceria, o time fica com 1% do valor do imóvel comercializado a partir deste contato. A Tecnisa também ganhou notoriedade ao se tornar uma das poucas empresas “gay friendly” do Brasil. Além disso, destaca-se com os podcasts, na Second Life e YouTube, além de fotos no Flickr. “É uma mídia mais barata do que a tradicional, mas que exige um nível de conhecimento profissional mais amplo”, diz. A maioria dessas ferramentas é gratuita.

Engana-se, porém, quem pensa que é preciso uma equipe gigante de internet para gerenciar todas essas plataformas. Na área de Gustavo Reis trabalham mais três pessoas, apenas. Segundo ele, uma estrutura muito adequada para uma pequena empresa.

“É preciso que as empresas pensem com inovação. O importante é entender que as coisas não acontecem de um dia para o outro. É preciso paciência para ver o retorno acontecer”. O gerente resume algumas dicas para as empresas que querem se aventurar no mundo das mídias digitais:

1. Responda à pergunta: o que eu quero fazer na web?

2. Indique se você quer um site, um blog ou outra coisa

3. Internet permite medir tudo. Meça!

4. Busque sempre a criatividade. A internet valoriza os pioneiros

5. Procure sempre inovar, adicionando informação ao seu negócio

6. Concorrência não descansa. Antecipe-se à concorrência

7. Cultive a web dentro da empresa. É preciso saber criar, saber interpretar e mostrar isso internamente

Fonte: DCI


Espanhol arquiteta holding imobiliária

11 dezembro, 2008
Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauipe no dia da assinatura do contrato.

Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauípe no dia da assinatura do contrato.

Ele já foi chamado de Donald Trump espanhol e “senhor dos tijolos”, como são conhecidos na Espanha os magnatas da construção. Dono de uma trajetória nada invejável de ascensão e queda – uma fortuna de mais de US$ 7 bilhões quase evaporou depois de denúncias de operações que inflaram os papéis da sua empresa imobiliária na Espanha – o valenciano Enrique Bañuelos é o homem que está arquitetando, nos bastidores, a tacada mais ousada do mercado imobiliário brasileiro. O polêmico empresário está em contato com pelo menos seis companhias do setor – e estaria em conversas mais avançadas com Agra e Abyara – para montar uma holding, que já ganhou até um nome: Veremonte. A grande dúvida do mercado é se a proposta é factível e se Bañuelos, que já desistiu de outros negócios aqui, conseguiria levá-la adiante.

Além de Agra e Abyara, o Valor apurou que Bañuelos já sondou a Inpar, Even, Klabin Segall, Tecnisa e Rossi. A bordo de seu jato particular, avaliado em mais de US$ 8 milhões – que usa para levar os empresários brasileiros para visitar terrenos e empreendimentos no Nordeste em uma única tarde – Enrique tem mostrado uma habilidade invejável para discorrer sobre seu plano de negócios. E, em função da complicada situação não só do mercado, como de várias empresas, tem encontrado ressonância nas empresas. “Ele tem pouca credibilidade, mas é sedutor e muitas companhias, que estão praticamente sem saída, viram nessa holding uma promessa de salvação”, diz uma fonte do setor.

O Valor teve acesso ao plano de negócios da holding, que se vende como a plataforma líder de “real estate” no país. A apresentação impressiona pela complexidade e pela ambição. Para reduzir os custos operacionais e conseguir economia de escala, a idéia é criar uma empresa única centralizada, com uma sede e uma única estrutura financeira, administrativa, de marketing, construção e vendas. Uma companhia saudável, não contaminada pelas dívidas das companhias abertas, que fica com parte dos ativos das empresas, e que a médio prazo abriria capital lá fora: 40% nas bolsas de Londres e Nova York (sendo 20% de oferta secundária e 80% de oferta primária). “Os recursos da oferta primária serão destinados preferencialmente para o pagamento dos ativos adquiridos das S.A listadas e para eliminar as dívidas corporativas das companhias”, discorre o plano.

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As companhias se especializarão, na baixa renda, média, alto padrão, comercial, ficando com pelo menos 65% da atividade no segmento específico. A holding, segundo o plano de negócios, entrará em novas atividades, como corretagem – será proposto aos principais bancos do país a criação de um instrumento de corretagem que usaria as agências para captação de vendas. Também pretendem criar um companhia hipotecária, uma seguradora e montar um patrimônio para ser alugado. Promete, ainda, alianças internacionais e para isso teria escritórios em Nova York, Londres, Madri, Moscou e Dubai. Mas a ousadia não termina aí. O plano de negócios diz que “é objetivo prioritário da empresa que suas controladas criem novas cidades, desenhem a expansão de grandes cidades do Brasil em colaboração com grandes grupos internacionais.”

O empresário espanhol está apresentando aos empresários brasileiros uma estrutura de empresas em cascata, com um modelo complexo de participações cruzadas (ver tabela acima). Os donos de companhias abertas brasileiros, que no plano de negócios são chamados de fundadores, teriam 40% da nova empresa, mas continuariam com as suas respectivas empresas, que se mantém independentes e listadas em bolsa. O plano de negócios foi montado de tal forma a evitar o disparo de “poison pill” (mecanismo que protege a empresa de uma compra hostil) e tag along (direito do minoritário de receber o que foi pago ao controlador ) já pensando no efeito que a possível montagem de uma estrutura desse porte poderia causar sobre os minoritários.

A questão é que, além de um escândalo envolvendo a empresa que fundou, a Astroc, na Espanha, o empresário teve problemas recentes no Brasil. No dia da assinatura do contrato e pagamento de 70 milhões de euros pela aquisição do Complexo da Costa do Sauípe, na Bahia, Enrique Bañuelos desistiu do negócio. A crise e o acerto do valor em euros, antes da desvalorização do real, teriam sido os motivos para a desistência do negócio.

Relatório do terceiro trimestre da Afirma, nome atual da Astroc, diz que a empresa participa em 55% da Brasil Real Estate New Project Participações, S.A, cujo objetivo é desenvolver um projeto turístico no Brasil de longo prazo.

Todas as empresas citadas foram procuradas. Segundo assessoria de imprensa da Tecnisa, a empresa recebeu a visita dos investidores espanhóis, porém a conversa não evoluiu. A Abyara informou que “está aberta a negociações, mas por questões estratégicas prefere não comentar sobre rumores de mercado”. A Rossi informou que não esteve em contato com o investidor espanhol Enrique Bãnuelos, assim como Klabin Segall e Even.

Fonte: Valor