Em crise por um longo período que durou até 2006, quando desapareceram do mercado local boa parte das construtoras e incorporadoras mais tradicionais, Curitiba enfrenta um “boom” sem precedentes no mercado imobiliário. Nada menos que 12 das 27 grandes empresas que abriram seu capital e foram ao mercado de ações fazer captações entre 2006 e 2007 desembarcaram na cidade com grandes projetos.

A ida ao mercado resultou num volume de recursos estimado em R$ 18 bilhões - dinheiro suficiente para investir em novos empreendimentos e outros mercados. A estimativa é a de que, apenas entre o final de 2007 e 2008, sejam lançados projetos com potencial de vendas num valor aproximado de R$ 1,3 bilhão na capital e em municípios da região metropolitana de Curitiba. “O primeiro sinal deste aquecimento foi o aumento absurdo no preço dos terrenos com casos em que o valor está batendo em R$ 2 mil o metro quadrado, mais do dobro do que era pedido há alguns anos”, conta o presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Pinheiro Franck. Segundo o Sinduscon-PR, o volume liberado pela Prefeitura de Curitiba para novas construções em 2008 - janeiro a junho - atingiu 1,46 milhão de metros quadrados, um aumento de 73% em relação ao mesmo período em 2007 - janeiro a junho - 846 mil m2.
Também o número de quase 10 mil unidades liberadas é superior em 78% quando comparado com o mesmo período de 2007 que atingiu 5.5 mil unidades. Do total de 10 mil unidades liberadas para novas construções, 9.07 mil unidades, ou 91% delas, serão destinadas ao uso residencial. De janeiro a junho de 2008 foram lançados 2.079 unidades/apartamentos em empreendimentos residenciais verticais (acima de quatro andares) - 80% a mais do que foi lançado no mesmo período de 2007 (1.155 unidades).

As empresas estão desembarcando com novos conceitos, ou mesmo para trabalhar em setores tradicionais para todas as faixas: desde empreedimentos econômicos até projetos milionários. “Como mercado ficou muito tempo parado e sem lançamentos, está ávido por novas ofertas de qualquer categoria”, resume o presidente do Sinduscon-PR. A última a anunciar seu desembarque na região de Curitiba, por exemplo, a Inpar, uma das maiores incorporadoras do país, veio com sua divisão ViVer Empreendimentos Imobiliários, com foco no segmento econômico, para desenvolver projetos com unidades entre R$ 60 mil e R$ 130 mil. Ela irá construir em Sao José dos Pinhais, o ViVer Bosque que, na primeira fase, terá 472 unidades ao preço médio de R$ 92 mil e potencial de vendas projetado em R$ 44 milhões direcionado a famílias com renda mensal a partir de R$ 2.500 (ou seis salarios mínimos).

Boa parte das empresa está escolhendo o caminho das parcerias, fusões e joint ventures com empresas locais - que conhecem o mercado curitibano mas não têm, nem de perto, seu poder de iniciativa, mas muitas estão vindo sozinhas. A Rossi associou-se à Thá, a PDG Realty à LN e a Goldsztein Cyrela ao Grupo Dória, a última anunciando uma previsão de investimentos de R$ 150 milhões em 2008. Já a Gafisa e a Abyara, de São Paulo, entraram sozinhas. Michel Wurman, vice-presidente da PDG Realty, que captou no ano passado R$ 1,5 bilhão com lançamento de ações e debêntures, planeja lançar com a LN entre dois e cinco empreendimentos por ano em Curitiba. “O mercado imobiliário está pronto para decolar, principalmente pelo financiamento de longo prazo”, explicou. Já a InCons S/A Incorporadora e Construtora, de São Paulo, anunciou dois empreendimentos imobiliários com lançamentos previstos em 2008 - o primeiro já foi o Condomínio Clube New Age, localizado próximo ao Shopping Palladium, no bairro Portão, com potencial de vendas de R$ 110 milhões.
Um exemplo do poder de fogo das novas empresas é o mega-empreendimento de 560 unidades no Cristo Rei, lançado pela Abyara no final de 2006 com investimentos superiores a R$ 200 milhões e que introduziu o conceito de “condomínio-clube”, em Curitiba e que fazem muito sucesso em São Paulo. Com preços médios entre R$ 400 mil e R$ 500 mil o empreendimento já está com 95% das unidades vendidas em apenas seis meses de comercialização, segundo Paola Alambert, diretora de marketing do setor de incorporações da Abyara. Com isso, a empresa lançou em julho mais um projeto com 392 unidades dentro do mesmo conceito e investimento semelhante com o nome de Reserva Ecoville. “Chegamos à cidade no momento certo e com possibilidades de obtenção de crédito mais fácil e de mais longo prazo, em até 30 anos para o comprador”, diz Paola.

Há um pouco mais de tempo na capital paranaense, a construtora mineira MRV Engenharia, líder no mercado de construção residencial para a classe média no Brasil, também detectou o “boom” e está promovendo uma grande expansão dos seus negócios locais. A empresa lançou seu primeiro empreendimento na cidade em 1999 e hoje possui 18 residenciais com 1.138 unidades lançadas. Nos últimos tempos a MRV estocou 144,5 mil metros quadrados em terrenos para lançar 1.090 unidades residenciais em seis novos empreendimentos que juntos possuem potencial de vendas de R$ 116,5 milhões. Todos deverão ser residenciais na linha de condomínios fechados verticais, que obtiveram grande aceitação pelos curitibanos.
A Gafisa, por sua vez, está no seu segundo empreendimento com padrão de comercialização acima de R$ 200 mil, mas segundo seu diretor de incorporação, Antônio Ferreira, “dentro de 30 dias estaremos fazendo lançamentos dentro da nossa linha FIT, mais popular, com imóveis entre R$ 80 mil a R$ 200 mil. Curitiba é um mercado bastante amplo e com muitas tendências”, diz. O primeiro lançamento Ville Soleil, tinha unidades entre R$ 500 mil a R$ 800 mil e o segundo, o Orbit, vendeu 144 unidades entre R$ 300 mil a R$ 420 mil. “A cidade tinha poucos lançamentos e havia uma certa inibição nas empresas locais em virtude das dificuldades que enfrentavam e do preço baixo dos imóveis”, acrescenta. Segundo ele, a única grande diferença do curitibano para os compradores de outros estados onde a empresa opera é a preferência por adquirir o imóvel quando está em construção e não no momento do lançamento como acontece em São Paulo e Rio de Janeiro.
Fonte: Gazeta Mercantil