Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), o empresário sorocabano Flávio Amary, a crise aconteceu e num primeiro momento todos ficaram chocados. Então, várias empresas grandes que tinham vindo para o interior, buscando novos mercados, estavam com capital e expandiram rapidamente, porque o mercado estava favorável.
E começaram a fazer grandes lançamentos, até mesmo de forma equivocada, com pouca análise da regionalidade. Isso fez com que em Sorocaba alguns empreendimentos fossem cancelados quando a crise chegou. Tivemos alguns empreendimentos projetados em Sorocaba que foram abortados e isso aconteceu no país inteiro, afirma Amary.
Avalia que com o surgimento da crise, o mercado ficou retraído, as empresas grandes começaram a segurar, as pequenas e médias ficaram um pouco mais atentas. Mas isso durou uns quatro ou cinco meses. As vendas aconteceram muito bem, o governo ficou bastante atento a isso, reduziu algumas tarifas, IPI de alguns produtos, o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, embora tenha ainda alguns problemas que nós entendemos, é uma forma positiva que o governo deu para os empresários do setor imobiliário e da construção civil de implementar, fomentar mais o mercado, considera o empresário.
Depois de 12 meses de turbulência, o que se vê agora é um mercado forte, inclusive no interior de São Paulo, segundo Amary. Embora os lançamentos tenham diminuído, as vendas continuaram bem, então o estoque de mercadoria está reduzindo. Isso vale não só para Sorocaba, mas para outras regiões do Estado também, justifica.
Amary não considera que tenha havido excesso de euforia antes da deflagração da crise econômica internacional. A gente estava chegando no limite do que se chama PIB (Produto Interno Bruto) potencial, ou seja, no limite do crescimento e aí começa a faltar estrutura para avançar nesse crescimento. Não temos estrutura para crescer mais e, se olharmos sob esse enfoque, a crise, para nós brasileiros, foi até positiva, avalia. Ele considera que os efeitos da crise pressionaram os empresários a fazer um pequeno ajuste na sua produção, para poder crescer um pouco mais daqui para a frente. E isso aconteceu também no mercado imobiliário.
Parque Tecnológico
Na avaliação do vice-presidente do Secovi, em Sorocaba, principalmente, a grande alavancagem está centrada no Parque Tecnológico, com a vinda da Toyota e outras empresas de médio e grande porte. Somado a isso, o anel viário da cidade precisa ser viabilizado, opina. Segundo Amary, já há recursos em caixa, o projeto está praticamente pronto e a concretização do anel viário será muito importante para desafogar o trânsito e viabilizar o desenvolvimento da cidade.
Ele enfatiza que o mercado imobiliário tem que estar sempre atento com as mudanças na demografia, com a densidade demográfica, crescimento de bairros, tudo isso está ligado ao mercado imobiliário e o sistema viário é muito importante porque facilita a mobilidade das pessoas e fomenta a economia.
Em Sorocaba ainda há muito espaço para o crescimento do mercado imobiliário, com as universidades e faculdades públicas e particulares, as novas empresas que virão no esteio da Toyota e do próprio desenvolvimento da cidade.
Reforça Amary que a valorização imobiliária está acontecendo no país inteiro, em algumas cidades de forma mais intensa e em outras de maneira mais moderada. E isso é reflexo de uma conjuntura de fatores: o aumento do crédito, a redução da taxa de juros, a procura por ativo real, novos investimentos, vinda de pessoas de fora para o interior. Existe uma valorização imobiliária sim, em todos os setores, seja de casa, apartamentos, terrenos, comerciais. E em Sorocaba, na cidade como um todo e, mais notadamente na zona Norte, essa valorização está ocorrendo ao longo do tempo e deverá ganhar impulso agora com a vinda da Toyota e outros empreendimentos, completa. (Cida Vida)
Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul
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No mercado imobiliário, por exemplo, o volume de imóveis residenciais comercializados em São Paulo sofreu recuo de 38,6% em setembro, segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP).
“Quem está procurando muito agora é o investidor, que antes estava ganhando dinheiro em outras aplicações. Eles procuram imóveis que possam trazer rentabilidade em termos de aluguel”, diz Roseli, da Lello. O mercado imobiliário mostrou ser o mais seguro para investimentos na crise. Têm muitos investidores entrando no mercado em busca desse porto seguro”, explica Rossi Filho, do Secovi.


Os economistas costumam dizer que em momentos de muitas incertezas a melhor decisão é não tomar nenhuma decisão. A julgar por um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o conselho foi bem recebido por grande parte dos consumidores. O levantamento mostra que 34% dos entrevistados em setembro optaram ao menos por adiar seus planos de aquisição de bens duráveis, como veículos ou imóveis. O posicionamento reflete a insegurança gerada pela crise financeira e deve ajudar a colocar um freio no forte movimento de valorização de casas e apartamentos verificado nos últimos anos, afirmam os especialistas.
