Setor imobiliário se ajusta à realidade e cresce

5 outubro, 2009

Para o vice-presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), o empresário sorocabano Flávio Amary, a crise aconteceu e num primeiro momento todos ficaram chocados. Então, várias empresas grandes que tinham vindo para o interior, buscando novos mercados, estavam com capital e expandiram rapidamente, porque o mercado estava favorável.

E começaram a fazer grandes lançamentos, até mesmo de forma equivocada, com pouca análise da regionalidade. Isso fez com que em Sorocaba alguns empreendimentos fossem cancelados quando a crise chegou. Tivemos alguns empreendimentos projetados em Sorocaba que foram abortados e isso aconteceu no país inteiro, afirma Amary.

Avalia que com o surgimento da crise, o mercado ficou retraído, as empresas grandes começaram a segurar, as pequenas e médias ficaram um pouco mais atentas. Mas isso durou uns quatro ou cinco meses. As vendas aconteceram muito bem, o governo ficou bastante atento a isso, reduziu algumas tarifas, IPI de alguns produtos, o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, embora tenha ainda alguns problemas que nós entendemos, é uma forma positiva que o governo deu para os empresários do setor imobiliário e da construção civil de implementar, fomentar mais o mercado, considera o empresário.

Depois de 12 meses de turbulência, o que se vê agora é um mercado forte, inclusive no interior de São Paulo, segundo Amary. Embora os lançamentos tenham diminuído, as vendas continuaram bem, então o estoque de mercadoria está reduzindo. Isso vale não só para Sorocaba, mas para outras regiões do Estado também, justifica.

Amary não considera que tenha havido excesso de euforia antes da deflagração da crise econômica internacional. A gente estava chegando no limite do que se chama PIB (Produto Interno Bruto) potencial, ou seja, no limite do crescimento e aí começa a faltar estrutura para avançar nesse crescimento. Não temos estrutura para crescer mais e, se olharmos sob esse enfoque, a crise, para nós brasileiros, foi até positiva, avalia. Ele considera que os efeitos da crise pressionaram os empresários a fazer um pequeno ajuste na sua produção, para poder crescer um pouco mais daqui para a frente. E isso aconteceu também no mercado imobiliário.

Parque Tecnológico

Na avaliação do vice-presidente do Secovi, em Sorocaba, principalmente, a grande alavancagem está centrada no Parque Tecnológico, com a vinda da Toyota e outras empresas de médio e grande porte. Somado a isso, o anel viário da cidade precisa ser viabilizado, opina. Segundo Amary, já há recursos em caixa, o projeto está praticamente pronto e a concretização do anel viário será muito importante para desafogar o trânsito e viabilizar o desenvolvimento da cidade.

Ele enfatiza que o mercado imobiliário tem que estar sempre atento com as mudanças na demografia, com a densidade demográfica, crescimento de bairros, tudo isso está ligado ao mercado imobiliário e o sistema viário é muito importante porque facilita a mobilidade das pessoas e fomenta a economia.

Em Sorocaba ainda há muito espaço para o crescimento do mercado imobiliário, com as universidades e faculdades públicas e particulares, as novas empresas que virão no esteio da Toyota e do próprio desenvolvimento da cidade.

Reforça Amary que a valorização imobiliária está acontecendo no país inteiro, em algumas cidades de forma mais intensa e em outras de maneira mais moderada. E isso é reflexo de uma conjuntura de fatores: o aumento do crédito, a redução da taxa de juros, a procura por ativo real, novos investimentos, vinda de pessoas de fora para o interior. Existe uma valorização imobiliária sim, em todos os setores, seja de casa, apartamentos, terrenos, comerciais. E em Sorocaba, na cidade como um todo e, mais notadamente na zona Norte, essa valorização está ocorrendo ao longo do tempo e deverá ganhar impulso agora com a vinda da Toyota e outros empreendimentos, completa. (Cida Vida)

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul


Crédito imobiliário com recursos da poupança bate recorde em 2008

4 fevereiro, 2009

Número de unidades financiadas cresceu 53%, para 299.746.
Valor financiado somou R$ 30,048 bilhões no ano passado.

O financiamento imobiliário com recursos das cadernetas de poupança atingiu, em 2008, o número recorde de 299.746 unidades, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Em relação a 2007, o número de imóveis financiado teve expansão de 53% no ano passado.

O número financiado superou o recorde anterior, de 267 mil unidades, registrado em 1981.

O valor financiado somou R$ 30,048 bilhões em 2008. Na comparação com o crédito imobiliário concedido pelos bancos que operaram esses recursos em 2007, houve crescimento de 64,4%.

Em dezembro do ano passado, o crédito imobiliário com recursos de poupança foi de R$ 2,547 bilhões, 37% a mais que no mesmo mês do ano anterior. O número de unidades financiadas em dezembro, de 25.494, foi 38% maior que o do último mês de 2007.

No ano passado, a captação líquida (depósitos menos retiradas) dos recursos da poupança destinados ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE) aumentou 7,38%, para R$ 13,854 bilhões. Em dezembro, a captação líquida cresceu 2,06%, para R$ 4,318 bilhões.

Fonte: G1


Crise amplia a falta de recursos no setor imobiliário

29 janeiro, 2009

Falta crédito para tocar novos projetos. Empresas estão mais endividadas e as linhas disponíveis nos bancos estão caras demais.

O aprofundamento da crise do setor imobiliário fez o movimento de fusões e aquisições entre as companhias estancar, mas ao mesmo tempo atraiu a atenção de fundos e investidores em busca de oportunidades. No momento, as empresas sofrem com problemas de falta de crédito para alavancar os projetos, além da escassez da demanda.

“Ninguém tem recursos para apostar em novo negócio, as companhias estão olhando para a própria casa. O crédito é escasso, as empresas estão mais endividadas e as linhas específicas disponíveis nos bancos estão caras demais. Já os fundos de investimento estão vendo oportunidades, pois os papéis estão bastante descontados”, avalia a equipe de pesquisa da Banif Securities.

Sem recuperação

A visão dos fundos de investimento é de que, no momento, não há espaço para a recuperação das cotações, mas no longo prazo, o setor tende a registrar dias melhores. “Existem fundos importantes montando posição dentro das empresas. Não são participações estratégicas para assumir o controle e sim compra de participação devido aos preços atrativos”, explica um analista de mercado.

Este foi o caso da Agra Empreendimentos Imobiliários. Recentemente, a companhia informou que o AC0 Fundo de Investimentos Multimercado comprou, por meio do Banco J.P. Morgan, 425 mil ações ordinárias, o que corresponde a 10,07% do capital social da companhia.

“A adquirente declara que não se trata de aquisição do controle da companhia, mas sim de investimento que não busca a alterar a administração, composição de controle ou o regular funcionamento da companhia”, destacou o comunicado.

Nenhum fator novo

Segundo a análise da Banif, não é esperado nenhum fator novo que leve as empresas do setor imobiliário retomar o movimento de consolidação. “O mercado está ruim para todos”, declaram os especialistas do banco. Desta forma, dificilmente as empresas teriam recursos para fazer uma aquisição ou ampliar a exposição no setor, mesmo as de maior porte. Sem muitas opções, a saída encontrada pelas empresas tem sido a retração dos negócios, venda de terrenos, busca de parcerias para a confecção dos projetos ou injeção de capital de novos acionistas, com o maior interesse dos bancos de investimento.

Troca de controle

Em último caso, fala-se da troca de controle e há ainda as que lançaram ações, como a Brascan Properties. A companhia aprovou a proposta de aumento do capital social dentro do limite do capital autorizado, por meio de subscrição privada, no valor de R$ 200 milhões, a ser realizado mediante a emissão de 100 milhões de novas ações ordinárias. Os acionistas signatários do Acordo de Acionistas comprometeram-se a subscrever a totalidade das ações correspondentes ao seu direito de preferência. O aumento de capital teve por objetivo fortalecer a estrutura de capital da companhia, com o aperfeiçoamento dos seus índices financeiros.

As companhias mais fragilizadas

As companhias mais fragilizadas diante deste cenário são a Abyara, e Inpar. Esta última buscou se reerguer com o processo de aumento de capital e injeção de recursos. No final do ano passado, a Inpar anunciou o aumento do capital social da companhia por meio de subscrição privada, no valor de R$ 180 milhões. Serão emitidas 102.857.143 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 1,75, dez vezes inferior ao valor negociado na estréia na BM&FBovespa.

Com a operação, o Paladin, fundo norte-americano especializado no mercado imobiliário, entrou no controle da incorporadora e pode ter até 52% da InPar caso os outros acionistas não exerçam o direito de preferência na compra de ações. Os recursos servirão para que a incorporadora consiga atuar no curto prazo.

Mas o caso da Abyara é bem mais preocupante. A empresa já vendeu parte das operações para fazer caixa e agora busca vender outros ativos, como terrenos e projetos. Esta operação, no entanto, não é simples. No momento, os terrenos estão mais desvalorizados e as interessadas com poucos recursos. “A empresa não tem conseguido vender os terrenos. Não vai vender abaixo do valor que adquiriu em 2007, mas também não consegue vender com lucro”, explicam os analistas do Banif.

Ao mesmo tempo, torna-se complicado conseguir parcerias para tocar os projetos, pois o mercado está desaquecido. “A Abyara é a empresa mais exposta, mas não acredito que vá quebrar ou algo assim. No máximo devem ocorrer atrasos nos empreendimentos”, afirma um analista de mercado.

Para a Abyara, não está ainda descartada a venda para o investidor espanhol Enrique Bañuelos. Segundo fontes do mercado imobiliário, o espanhol teria voltado a conversar com a empresa este ano. Um dos indicativos de que uma possível negociação esteja ocorrendo é o comportamento das ações da Agra no acumulado do ano.

Apesar de a empresa ser a que se encontra em pior situação dentre o segmento imobiliário, os papéis da Agra são os que acumulam a maior valorização dentre os pertencentes ao setor. Bañuelos teria planos de unir várias empresas do setor imobiliário em uma holding. A Agra e a Abyara seriam as duas companhias em negociações mais adiantadas com o investidor espanhol.

Fonte: Monitor Mercantil


Imobiliárias apostam em apartamento mais barato contra crise

9 dezembro, 2008

Com turbulência, imóveis usados ou de valor mais baixo ganham destaque.

A crise financeira mundial se espalhou para muito além dos bancos e das bolsas de valores. Diversos setores da chamada economia real, como o de imóveis e o de carros, estão sofrendo impacto nos seus resultados.

dolarNo mercado imobiliário, por exemplo, o volume de imóveis residenciais comercializados em São Paulo sofreu recuo de 38,6% em setembro, segundo dados do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP).

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, declarou na última semana que acabou a “euforia” que vigorava no mercado antes da crise financeira. Ele também lembrou que a maior parte dos bancos já elevou os juros para compra da casa própria nos últimos meses.

Para combater essa queda, a grande aposta das imobiliárias são os apartamentos mais baratos. Isso inclui imóveis de vários tipos: usados, com apenas uma vaga na garagem, ou com vista para os fundos do prédio.

“Os clientes estão buscando valores menores. A faixa média de valor buscada antes era de R$ 250 mil a R$ 350 mil. Após a crise, está entre R$ 150 mil a R$ 200 mil”, diz Roseli Hernandes, gerente de locação da Lello Imóveis. “Acredito que a grande coqueluche para 2009 serão os imóveis usados.

É nesse segmentos que estão concentradas a maioria das promoções”, concorda José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci).

Segundo André Camargo Bonotti, diretor comercial da Adel, com a crise as pessoas tendem a limitar os gastos mais altos, se focando na compra de imóveis que permitam uma folga maior no bolso. “Esse mercado nunca vai parar, mesmo com a crise. As pessoas continuam casando, continuam tendo filhos. Com crise ou não, sempre existirão pessoas que querem sair do aluguel”, diz ele.

“Esse tipo de imóvel havia tido uma valorização excessiva com o aquecimento anterior do mercado, e agora está voltando para seu valor real. Essa crise até deu a oportunidade de fazer um ajuste”, explica Fábio Rossi Filho, diretor de lançamentos do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP).

Crescimento do aluguel

Outro segmento do mercado imobiliário que deverá crescer é o do aluguel. Segundo os analistas, muitas pessoas que tinham dinheiro em outros investimentos – bolsas de valores, por exemplo – estão comprando apartamentos para alugar, como uma alternativa de renda.

imoveis“Quem está procurando muito agora é o investidor, que antes estava ganhando dinheiro em outras aplicações. Eles procuram imóveis que possam trazer rentabilidade em termos de aluguel”, diz Roseli, da Lello. O mercado imobiliário mostrou ser o mais seguro para investimentos na crise. Têm muitos investidores entrando no mercado em busca desse porto seguro”, explica Rossi Filho, do Secovi.

Já entre as áreas que estão sendo mais afetadas pela crise, a preocupação é com a dos novos lançamentos, cujo número teve queda de 28% frente ao registrado no mesmo mês do ano passado na região metropolitana de São Paulo. Segundo o mercado, os empresários estão com dificuldade para obter crédito para o capital de giro necessário para os empreendimentos.

“Acho que têm prédios que não vão subir”, ironiza Bonotti, da Adel. Ele também destaca a dificuldade das construtoras para repassar esse tipo de imóvel – cujo valor normalmente é mais elevado – com a crise: “algumas estão dando desconto de 15% a 20% na negociação com as imobiliárias”, revela. “A médio prazo, conforme os lançamentos que já estão prontos forem vendidos, deve haver uma escassez nas construções novas”, concorda Rossi Filho.

Font: G1


Santander diz que MRV e Rodobens driblam a crise

1 dezembro, 2008

No setor mais afetado pela crise internacional, o de construção civil, as empresas Company/Brascan e Inpar foram as que apresentam os piores resultados em relação às suas vendas, de janeiro a novembro. A MRV e a Rodobens, ao contrário, já cumpriram cerca de 80% de suas previsões de lançamentos para este ano e estão mais próximas de atingir as suas metas.
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A informação, da corretora do banco Santander, analisa o segmento mais atingido pela escassez de crédito e pela queda da confiança dos consumidores. O estudo aponta Rossi, PDG Realty e Abyara com destaque positivo. Estas e a Klabin foram as menos afetadas por desdobramentos da crise até o momento. “Acreditamos que o melhor desempenho, combinando maiores vendas e menor consumo de caixa, foram apresentados por essas empresas”, disseram os analistas.

O parecer da corretora avaliou também os lançamentos das construtoras: apenas seis empresas não adiaram novos projetos.

Fonte: DCI


Incorporadoras reduzem metas para fazer frente às incertezas do setor

25 novembro, 2008

“Só iremos realizar lançamentos quando tivermos um bom cheiro de vendas e assegurado o financiamento à construção.” “Tempos desafiadores se aproximam e os diferentes modelos de negócios das empresas imobiliárias serão testados.” “A gestão da liquidez e do capital de giro tornou-se ainda mais relevante.” “Aguardaremos uma consolidação do cenário para divulgar o guidance de lançamentos para 2009.”

Esse foi o clima predominante na temporada de divulgação dos resultados do terceiro trimestre das incorporadoras de imóveis. O tom cauteloso das frases repetidas nos comentários da administração confirmou a chegada da prudência nas projeções de lançamentos, abandonando as projeções de crescimento de três dígitos.
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Obrigadas a reduzir a expectativa futura, diante da restrição no mercado de crédito para financiamento da construção e do capital de giro que eliminaram o ambiente em que prosperou o festival de metas pretensiosas, as companhias aproveitaram o anúncio do balanço para prometer uma gestão mais “pé no chão”.

O resultado impressiona: mais da metade do setor (representado por 20 empresas, já considerando Brascan-Company de forma consolidada) implementou reduções nos guidances para o final do ano. Na prática, o setor imobiliário vai abrir mão de 20% dos R$ 41 bilhões previstos no início do ano para lançar R$ 33 bilhões.

Em grande parte dos casos, empresas até carregam condições de entregar o que era previsto, mas preferem preservar a posição de caixa, postergando lançamentos e se protegendo de retração na demanda. Luiz Rogelio Tolosa, diretor Executivo de Relações Institucionais da Brascan-Company, fruto da união entre Brascan Residencial e Company, reconhece o momento delicado.

“O funding de capital de giro desapareceu. Não vejo saída fácil: as empresas que não tiverem capacidade de capital vão diminuir o volume. No setor, sempre a adaptação à crise foi por uma redução da oferta, muito antes da queda da demanda”, explicou em entrevista à InfoMoney na segunda-feira (24).

Tolosa não acredita em quebradeira entre as representantes da indústria de incorporação listadas na BM&F Bovespa e destaca a possibilidade de expansão zero em 2009. Na contramão da maioria das companhias que deixaram para dezembro o anúncio do guidance para o próximo ano, a Brascan-Company revelou meta entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,1 bilhões, ou seja, não descarta empatar os R$ 2,7 bilhões de 2008.

“Small is beautiful”?

Outros especialistas criticam o fato de grande fatia das análises estarem privilegiando as chamadas blue chips (Cyrela, Gafisa, MRV, PDG e Rossi) como opções defensivas no momento atual. Segundo essa linha de raciocínio, o médio e pequeno caminham conforme o possível, em atuação, de certa forma, mais conivente com o conservadorismo. Como exemplo, a Even prevê lançar R$ 1,8 bilhão em 2008, 2009 e 2010.

Por sua vez, a carioca CR2 revisou seu guidance de lançamentos de R$ 1,2 bilhão para R$ 500 milhões em 2008 e projetando R$ 600 milhões em 2009. “O futuro próximo deverá mostrar que uma companhia leve e enxuta é capaz de encarar tempos difíceis preservando a rentabilidade e revertendo a seu favor as oportunidades que só aparecem quando uma crise se instala”, afirma a empresa


Com crise, vale tudo para vender um imóvel

23 novembro, 2008

Empresas do setor imobiliário dão carros, eletrodomésticos e móveis; abatimento de impostos e descontos no valor do apartamento.

Não está fácil vender imóvel nos grandes centros do país. Ainda há crédito disponível nos maiores bancos, mas a crise internacional alimenta o temor de crescimento do desemprego no Brasil daqui a alguns meses – e torna os potenciais compradores mais cautelosos. Até agora o setor imobiliário tem sido o mais afetado pela turbulência financeira. No terceiro trimestre, quando ainda não havia a percepção de que a crise seria tão grave, foi observada uma redução de 24% nas vendas contratadas pelas 21 empresas do setor com ações negociadas na Bovespa.

imoveissaopauloA inesperada redução de demanda pegou no contrapé as incorporadoras, que se prepararam para um boom imobiliário. Em 2007, enquanto o movimento era de queda das taxas de juros e de fartura do crédito, as empresas foram à bolsa e venderam papéis de dívida para viabilizar lançamentos futuros. Houve corrida para a compra dos melhores terrenos. Mas, agora, falta caixa para tornar realidade os empreendimentos planejados.

Muitas incorporadoras decidiram cortar despesas para tentar manter o fôlego financeiro. A Abyara, umas das empresas em situação mais delicada, suspendeu novos lançamentos e analisa formas de se desfazer de terrenos e ativos. Outra iniciativa, adotada pela Abyara e por várias outras incorporadoras, é demitir funcionários e adequar o quadro de pessoal ao cenário de crise. Muitas empresas, entretanto, apostaram no reforço do investimento em marketing e em promoções para aumentar as vendas. Hoje em dia o interessado em comprar um apartamento pode conseguir uma série de vantagens da imobiliária ou incorporadora. Ao assinar um contrato para a aquisição de um imóvel, o comprador pode levar de graça presentes como carros 0 km e eletrodomésticos, negociar o abatimento de impostos ou da taxa da escritura e também obter descontos no valor do bem. “Estamos vivendo a hora do comprador, e não a do vendedor. Quem tem dinheiro para adquirir, dita as regras da negociação”, diz o diretor da imobiliária carioca Basimóvel, Alexandre Fonseca.

É aconselhável, no entanto, não se deixar levar por promoções na hora de fechar um negócio. Comprar na planta só é vantajoso se houver expectativa de valorização do bem até a entrega das chaves. Antes de fechar o negócio, é imperativo pesquisar se a demanda por imóveis em determinada região segue firme. Caso a compra seja financiada, o mais importante é se certificar de que a prestação caberá no orçamento familiar, já que a legislação brasileira permite ao banco, em muitos casos, retomar o imóvel após apenas três meses de inadimplência do mutuário. Essa preocupação é compartilhada até pelas construtoras. “Temos uma postura mais conservadora porque queremos clientes bons, que fiquem conosco até o final de empreendimento”, afirma o diretor de incorporações da Brascan/Company, José de Albuquerque. “Não queremos atrair clientes a qualquer custo.”

Apesar de cuidados serem necessários, o mercado está recheado de boas oportunidades. O Portal EXAME procurou mais de uma dezena de construtoras e imobiliárias para saber quais são as melhores promoções. Abaixo seguem as respostas obtidas:

Goldfarb: dará um Renault Clio 0 km para os 150 primeiros clientes que comprarem um imóvel do empreendimento Alphaview, em Barueri (região metropolitana de São Paulo). Os apartamentos têm entre 72 e 80 metros quadrados, dois ou três dormitórios e custam em média 160 mil reais. O empreendimento está na fase de pré-venda e será lançado no início de dezembro. A entrega do carro será junto com a das chaves, prevista para o final de 2010. Para atrair compradores, a incorporadora promove passeios de balão, feijoada e shows musicais. Já para conquistar a confiança dos consumidores, a construtora dá ao comprador a garantia de recompra do imóvel em troca da devolução do dinheiro pago caso ele seja demitido. Além disso, o comprador pode suspender o pagamento de até quatro prestações mensais caso passe por alguma dificuldade financeira.

Basimóvel: a imobiliária vai mobiliar o apartamento de quem comprar uma unidade no Barra Mais, um conjunto residencial com dois prédios na Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O cliente vai ganhar geladeira, TV LCD, DVD, máquina de lavar, fogão, microondas e armário embutido. “No dia do lançamento, há um mês, vendemos 102 das 200 unidades”, afirma o diretor da imobiliária, Alexandre Fonseca. Os apartamentos oferecidos medem 68 e 83 metros quadrados, tem dois ou três quartos e preços que variam de 185 mil a 315 mil reais.

João Fortes Engenharia: os compradores ganham descontos de até 10% no preço de aquisição, armários de cozinha da marca Todeschini e a escritura gratuita. A empresa também vai premiar os corretores que venderem unidades com dinheiro ou carros.

MRV Engenharia: até o final de dezembro, a empresa oferece aos compradores zero de sinal, 100% do valor financiado pela Caixa Econômica Federal e parcelas fixas durante o período de obras. Para as unidades que serão entregues até março, a empresa também arca com o pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e da escritura. O ITBI corresponde a 2% do valor do imóvel.

Del Forte & I.Price, imobiliária do grupo Brasil Brokers: oferece de três a seis prestações grátis, isenção de ITBI, assume o custo da escritura e sorteia prêmios em dinheiro aos compradores. Para os empreendimentos de baixo padrão, paga a cozinha planejada com armários embutidos. Já os empreendimentos de alto padrão terão descontos de até 12%, de acordo com o valor da entrada.

Brascan/Company: O cliente que indicar um comprador pode ganhar de eletrodomésticos a viagens ao exterior, dependendo do empreendimento. Os prêmios são pagos somente no momento da entrega do imóvel. Outra iniciativa são descontos em pagamentos à vista ou em caso de adiantamento de parcelas.

Tenda: a construtora oferece um notebook e um micro system aos compradores de imóveis.

Fonte: Portal Exame


Preços de imóveis também vão desacelerar, dizem especialistas

16 outubro, 2008

Com a crise, consumidor se mostra menos animado para comprar e bancos, menos dispostos a financiar

Os economistas costumam dizer que em momentos de muitas incertezas a melhor decisão é não tomar nenhuma decisão. A julgar por um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o conselho foi bem recebido por grande parte dos consumidores. O levantamento mostra que 34% dos entrevistados em setembro optaram ao menos por adiar seus planos de aquisição de bens duráveis, como veículos ou imóveis. O posicionamento reflete a insegurança gerada pela crise financeira e deve ajudar a colocar um freio no forte movimento de valorização de casas e apartamentos verificado nos últimos anos, afirmam os especialistas.

“Para os imóveis de até 350 mil reais, que são financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), a expectativa é de manutenção dos preços, enquanto os imóveis de alto padrão poderão ter seus valores de venda reduzidos”, avalia o advogado especializado em mercado imobiliário Renato Mirisola, sócio do escritório Bicalho e Mollica Advogados. A provável queda nos preços dos imóveis de alto padrão é justificada pela tendência de encarecimento do crédito imobiliário, já que fora do SFH os juros variam de acordo com as condições de mercado. Como a crise financeira enxugou os recursos disponíveis para empréstimos, os bancos devem passar a cobrar mais pelos financiamentos nos próximos meses. “Além disso, as instituições estão mais rigorosas na concessão de crédito”, ressalta Mirisola.

Em São Paulo, os números já apontam desaquecimento na demanda. Um estudo realizado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP) junto a 1.538 imobiliárias de 37 cidades do estado mostra que as vendas de imóveis caíram 8,55% em agosto. Na capital e no litoral o recuo foi mais acentuado: 19,18% e 34,94%, respectivamente.

Se por um lado o mercado imobiliário sofre com o encarecimento do crédito, por outro, ganha com a volatilidade da Bolsa. No segmento de imóveis comerciais, geralmente preferido pelos investidores por proporcionar retornos mais atraentes, não houve e não deve haver queda na demanda, afirma o diretor de Vendas da consultoria Jones Lang LaSalle, André Rosa. “Existem pouquíssimos imóveis comerciais à venda e em alguns casos há até investidores aguardando oportunidades”, diz.

Assim como outros especialistas do setor, Rosa acredita que, devido à crise financeira, parte dos recursos que seriam aplicados pelos investidores em ações deve ser redirecionado ao setor imobiliário. “O brasileiro vê nos imóveis um investimento seguro”, afirma.

Mesmo os imóveis na planta, que no passado fizeram muita gente perder dinheiro, atualmente são considerados um investimento de baixo risco. As ações das construtores tiveram forte desvalorização na bolsa, mas especialistas descartam a possibilidade de falência das empresas. Além disso, a legislação hoje é mais favorável ao comprador. Casos como o da construtora Encol, que faliu na década de 1990 deixando milhares de casas e apartamentos inacabados, não devem se repetir. Atualmente os empreendimentos são constituídos como sociedades de propósitos específicos (SPE) ou adotam o patrimônio de afetação – instrumento que permite separar do patrimônio da construtora os recursos da obra. Dessa forma, mesmo que a construtora decrete falência, o empreendimento terá seus recursos garantidos. “Nesse caso, o condomínio poderá contratar outra construtora para terminar a obra”, explica João Crestana, presidente do Secovi-SP.

Além disso, analistas consideram exageradas as desvalorizações de ações de construtoras como a Inpar, que já supera 90%. Segundo Eduardo Silveira, analista da corretora Fator, os papéis estão valendo menos que o patrimônio das empresas. “Isso não faz sentido”, afirma. Em sua avaliação, as construtoras devem reduzir o ritmo de lançamentos nos próximos meses, mas não parar de construir. Se faltar recursos para os projetos, há mais duas formas de consegui-los: por meio de novas parcerias ou pela venda de terrenos e outros ativos. No pior dos cenários, haveria uma fase de consolidação do setor, com as empresas mais fortes comprando as mais fracas: um movimento que para Rosa seria “natural e saudável”.

Fonte: Exame


Imóveis: queda no aluguel de salas em Manhattan mostra extensão da crise

8 outubro, 2008

A oferta de imóveis para o setor corporativo aumentou em 30%, em um ano, em Manhattan, de acordo com o relatório da principal empresa do mercado imobiliário, o que evidencia o impacto da crise financeira americana, já que tem havido uma menor procura por salas comerciais.

O percentual de espaço comercial disponível passou de 5,7%, no terceiro trimestre do ano passado, para 7,4%, em 2008, aponta o estudo da imobiliária Cushman and Wakefield’s, divulgado nesta terça-feira.

“Acreditamos ter alcançado o ponto de inflexão do mercado em agosto”, disse o chefe de Operações da Cushman and Wakefield’s para Nova York, Joseph Harbert.

Segundo o especialista, “chegou-se ao topo do mercado e, agora, estamos começando a baixar. Viemos de recordes históricos, mas a pergunta é o quanto vamos cair”.

O espaço disponível para alugar aumentou 72% em 12 meses, o maior salto dos últimos quatro anos.

Atualmente, há 600.000 metros quadrados de escritórios à espera de inquilinos em Manhattan, ou seja, 350.000 a mais do que há um ano.

“A crise no mercado do crédito tornou mais difícil administrar uma empresa, e muitos inquilinos reexaminaram para baixo suas necessidades de espaço”, completou.

Por enquanto, os preços se mantêm quase estáveis. Hoje, o valor do aluguel de um escritório custa, em média, 785 dólares por metro quadrado, o que significa apenas 2% a mais do que no ano passado.

Além disso, os bens estão mais tempo no mercado. “Há contratos, mas levam mais tempo para se concretizar, porque há mais opções de espaço e as negociações levam mais tempo”, explicou Harbert.

As vendas também foram atingidas pela crise. Desde o início do ano, foram vendidos 18,7 bilhões de dólares em propriedades, contra os 42,4 bilhões de dólares registrados no mesmo período em 2007. Pelo menos 40% dos compradores são, hoje, estrangeiros, completou o relatório.

Fonte: AFP