Imobiliárias crescem e mudam mercado

29 Agosto, 2008

Nunca houve tanto empreendimento em construção no Brasil. Em diferentes estágios e para públicos distintos, o sucesso ou o fracasso dessa enxurrada de lançamentos que as construtoras desovam quase que diariamente no mercado - mais de R$ 30 bilhões (US$ 17,1 bilhões) desde o começo de 2007 - estão nas mãos de um segmento que sempre gozou de muito pouco prestígio: as imobiliárias e o seu exército de corretores.

O cenário mudou e essas empresas também. Para acompanhar a nova realidade, foram obrigadas a se profissionalizar e costurar uma rede com atuação nacional. O momento é oportuno e ninguém quer ficar de fora. O mercado das imobiliárias experimenta, agora, o boom que as construtoras e incorporadoras começaram a ter há dois anos. Com uma grande vantagem: não corre o risco do empreendimento e tem um custo fixo mínimo, já que os profissionais não têm vínculo e são 100% comissionados.

De um lado, empresas que abriram capital, como Lopes e Brasil Brokers, que adquiriu a Abyara, disputam mercado com companhias tradicionais de capital fechado como Fernandez Mera e Coelho da Fonseca. De outro, players internacionais, como a rede americana Century 21 e a tradicional casa de leilões Sotheby´s investem para cavar seu espaço.

Apesar das trajetórias distintas - a Lopes tem 70 anos de vida e a BR Brokers é novata - as duas que optaram pelo mercado de capitais seguem a mesma trajetória: aplicar os recursos levantados na bolsa na abertura de novas filiais e aquisição de pequenas empresas Brasil afora. Não poderia ser diferente. Um dos reflexos da corrida à bolsa foi a expansão nacional das construtoras. Se quisessem acompanhar o momento teriam que seguir essa nova configuração geográfica.

As mudanças, no entanto, são mais profundas. Foram anos de um mercado desorganizado e fragmentado, que agora precisa se provar eficiente. Quem não optou pela abertura de capital, também cresce. A Fernandez Mera está dobrando de tamanho esse ano. Sai de um volume de vendas de R$ 1,2 bilhão (US$ 621,8 milhões) para R$ 2,5 bilhões (US$ 1,6 bilhão) em 2008 e está abrindo novos escritórios no interior de São Paulo. A americana Century 21, uma das maiores redes de imobiliárias do mundo e presente em mais de 60 países, corre por fora. Deve abrir entre 10 e 15 franquias até o fim do ano e chegar à ambiciosa marca de 100 franquias até o fim de 2009. Aposta em trazer para o Brasil diferenciais, como o seguro de escritura, que cobre eventuais erros na documentação, assim como possíveis intervenções de terceiros que questionem a validade dos documentos.

Além dos lançamentos, as imobiliárias começam a trabalhar com imóveis usados - um mercado que sempre esteve nas mão de pequenas corretoras e até mesmo de profissionais autônomos - e que só tende a crescer. Em algum momento, as pessoas vão sair de onde moram para mudar para os novos apartamentos que estão ficando prontos. “Esse é o futuro do mercado imobiliário”, diz Gonzalo Fernandez, da Fernandez Mera.


Century 21 chega ao Brasil com franquias imobiliárias

26 Julho, 2008

As empresas que atuam no segmento de vendas de imóveis acabam de ganhar um novo concorrente: a rede de franquias norte-americana Century 21, trazida ao País pelos sócios Antonio Martinez, David Moyer e Roberto Menescal, que adquiriram no ano passado a master franquia do Brasil.

A empresa, presente em 60 países com 8,8 mil franqueados e 145 mil corretores de imóveis, tem como foco três modelos principais de atuação: a conversão de imobiliárias já em operação, a abertura de novas unidades e as franquias para construtoras, especializadas em lançamentos e venda de estoques imobiliário. “O mercado de pequenas e médias imobiliárias já descobriu que não dá para sobreviver sozinho ao crescimento do setor. E as empresas têm dois caminhos: tentar vender o negócio para uma grande companhia como a Lopes ou a Brasil Brokers ou se associar a uma marca de peso, como a Century 21″, afirma o presidente da rede de franquias, Roberto Menescal.

A vantagem da associação, afirma Menescal, é o fato de a imobiliária manter seu nome e sua autonomia de negociação na região em que atua. “A Century 21 conta com a experiência de seus franqueados para poder atuar no mercado”, afirma o empresário.

Os sócios passaram quase três anos negociando a aquisição da master franquia, que segundo Menescal, é fruto de investimentos de “alguns milhões”, já incluindo a instalação.

O sistema de franquias oferece aos empreendedores incentivos para crescimento, treinamento de corretores e gerentes, e o serviço de seguro de escritura. Além da possibilidade de atuar no mercado internacional, já que a franquia conta com o banco de cadastro de imóveis da companhia. “Grandes empresas como a Lopes e a Fernandez Mera podem se associar a uma franquia e passar a atuar também fora do Brasil.”

Menescal afirma, no entanto, que nesse primeiro momento, a empresa terá que conquistar os novos empreendedores. “Não vamos abrir unidades próprias no Brasil para testar o modelo, porque esse trabalho já foi feito nos mais de 36 anos de experiência da Century 21″, afirma. Por isso, a empresa vai oferecer vantagens aos primeiros 21 empreendedores que abrirem franquias da rede.

“Esse grupo de fundadores terão benefícios como descontos de quase 50% na taxa de franquia e royalties”, afirma Menescal. Para abertura de uma franquia Century 21, o investimento mínimo inicial é de R$ 30 mil para a licenciatura. Os royalties são de 7% sobre a receita bruta e mais 3% para o fundo nacional de propaganda. Uma franquia completa, sem o ponto, sai por um valor mínimo de R$ 90 mil. E vai depender do tipo de franquia que a empresa decidir abrir. “Temos submarcas para a especialização da franquias”, afirma, voltadas para o segmento de imóveis de alto padrão, resorts, administração de condomínios comerciais e residenciais.

A expectativa da empresa é abrir 50 franquias neste primeiro ano, o que deve gerar um faturamento de R$ 1 milhão. Para 2009, o plano é duplicar esse número.

Mais informações no site: www.c21brasil.com.br