Os bons ventos voltaram a soprar e o setor imobiliário promete novo gás neste início de semestre. Incorporadoras que suspenderam o lançamento de empreendimentos em função da crise econômica mundial começam a tirar os produtos das prateleiras a partir do próximo mês.
“Em agosto deve haver um grande incremento de lançamentos imobiliários”, revela o diretor de habitação da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Azevedo Filho. A retomada do crescimento deixou a associação tão otimista que a instituição já prevê um aumento estimado de 20% no número de unidades a serem comercializadas neste ano. A previsão inicial era de dez mil unidades negociadas.
“Historicamente, as vendas no setor são menores no primeiro trimestre. Neste ano, isso se agravou com a crise. No entanto, o setor voltou a ganhar fôlego em abril e isso se consolidou em maio e tivemos um junho promissor”, avalia o diretor de habitação da Ademi.
Um dos empurrões responsáveis pela guinada veio com o programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida. Porém, como as construtoras e incorporadoras não possuem um grande leque de ofertas que atenda as demandas dos beneficiados pelo programa, que são imóveis de até R$100 mil, elas ainda estão se preparando para colocar no mercado produtos com esse perfil.
“Na verdade, a maior acelerada deve ocorrer no próximo ano, quando as empresas já terão se adequado para atender a esse público”, informa José Azevedo Filho. Como a oferta de terrenos na cidade é cada vez menor, ele dizqueessa expansão deve ocorrer nas regiões do Complexo Industriário de Aratu(CIA)/Aeroporto, na EstradaVelha do Aeroporto e também nas imediações de Abrantes.
Diante de um mercado em crescimento e com diversas oportunidades, o CORREIO fez uma lista com orientações para quem está interessado em adquirir um imóvel. São dez dicas fundamentais para serem seguidas antes de fechar o negócio. Além de mostrar como evitar ciladas, traz também as melhores opções para a compra.
1º É necessário definir o perfil do imóvel que você quer. Isso inclui o tamanho da área privativa, os serviços e opções de lazer oferecidos pelo empreendimento, localização, até quanto poderá pagar por ele, o valor da taxa de condomínio, entre outros detalhes. Como o imóvel é um bem duradouro, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci/BA), Samuel Prado, adverte que a escolha deve ser feita com segurança. “O comprador deve estar satisfeito como que está adquirindo”,diz.
2º Comprar um imóvel não é como comprar um roupa que, em caso de arrependimento, há possibilidade de troca. Portanto, antes de fechar o negócio é fundamental observar um pouco a rotina da área. Isso inclui perceber os hábitos da vizinhança, conferir como é o trânsito na região e, principalmente, avaliar a distância da futura morada como local de trabalho, escola das crianças, entre outros.
3º Usar a intermediação de um corretor ou imobiliária para compra temum preço, contudo, o serviço é apontado como a opção mais sensata. Além de evitar o desgaste de fazer inúmeras buscas, pode evitar problemas futuros. Uma boa dica antes de contratar o profissional é averiguar a certidão de regularidade dele junto à entidade da classe, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis.
“Se o profissional não cumprir como papel dele, o Creci não tempoder de polícia, mas pode entrar comuma representação para julgá-lo eticamente. As penalidades podem variar de advertência até o cancelamento do credenciamento”, informou Prado.
4º No caso do pronto, para financiar é necessário um sinal de, no mínimo, 10%. Na planta, ele variará de acordo como valor do imóvel. “Se for até R$100 mil o sinal é de 10% e mais 10% durante a obra. Se for R$200 mil, um sinal de 10% e o pagamento de 20% durante a obra. E, se for de R$300 mil, o sinal continuará de 10%, mas, durante a obra, o pagamento será de 40%”, diz José Azevedo Filho. Com imóvel usado, a orientação é fazer o pagamento direto como proprietário, a não ser que o corretor ou imobiliária tenha uma procuração dos proprietários autorizando a venda.
5º Pesquisar é sempre bom, porém, especialistas advertem que quando o comprador localiza um imóvel de seu interesse é melhor não titubear. “Não gosto de mostrar muitas opções para não confundir a cabeça das pessoas. Se gostou de um, é melhor fechar o negócio para evitar que seja vendido”, alerta Samuel Prado.
6º Comprar pronto ou na planta é uma decisão que dependerá das necessidades do comprador. Ele precisa do imóvel de imediato? Caso sim, não há escolha, a saída é adquirir um pronto. Mas, se não houver pressa, o imóvel na planta pode ser uma boa pedida. “O pronto não temas mesmas facilidades de um imóvel na planta, que é mais barato e oferece condições de pagamento mais flexíveis. Além disso, ele valoriza, em média, 20%”, informa José Azevedo Filho.
7º Depois da difícil tarefa de escolher o imóvel, é preciso definir as condições de compra. O pagamento à vista possibilita barganhar melhores preços. No entanto, quem pretende financiar deve avaliar os melhores prazos, taxas de juros e o sistema de amortização junto aos agentes financeiros. Já para os imóveis na planta, algumas vezes o financiamento das unidades já vem amarrado como banco que está financiando a obra. Nas duas hipóteses, o comprador vai precisar dar um sinal.
8º No caso do imóvel na planta, é fundamental que o comprador procure o registro de incorporação. Já no caso do imóvel pronto, a atenção deve ficar voltada para a escritura e para a certidão de ônus reais. É fundamental pedir certidões negativas dos cartórios de protestos, dos distribuidores cíveis, da Justiça Federal, da Receita Federal e de tributos municipais. Além disso, é importante verificar a matrícula atualizada do imóvel, expedida pelo Oficial do Cartório de Registro de Imóveis, e uma declaração que confirme que as taxas de condomínio estão em dia, no caso dos apartamentos.
9º Com a oferta aceita e o depósito assegurado, o próximo passo é assinar o contrato privado, Contrato de Promessa de Compra e Venda, que estabelece o preço acordado e as condições de venda e construção, prazo de entrega quando for o caso, do imóvel. Nesse momento, a reserva é substituída pelo sinal.O próprio contrato é o comprovante do pagamento do sinal. “Se o comprador ou o vendedor desistir da transação, há uma cláusula de arrependimento que estabelece ônus financeiro para a parte que cancelar o negócio”, informa Samuel Prado.
10º A conclusão final do negócio tem lugar quando são pagos os impostos e taxas relativos às transações imobiliárias e é assinada a escritura da propriedade em nome do novo dono. O procedimento é sempre feito no cartório ou na presença de um notário ou representante do mesmo. Após a assinatura da escritura, é importante registrar o imóvel em nome do novo proprietário.
Fonte: Perla Ribeiro / Redação Correio