Klabin Segall terá novos donos

28 abril, 2009

banuelosA Veremonte Participações, empresa de investimentos do empresário espanhol Enrique Bañuelos, e a incorporadora Agra fecharam hoje um acordo para assumir o controle da Klabin Segall. Trata-se de uma operação complexa. Pela proposta concluída nesta segunda-feira, a Veremont e a Agra constituíram uma nova empresa, que leva o nome provisório de New Co. Para formar essa empresa, a holding de Bañuelos entrou com 100 milhões de reais e a Agra, com 10 milhões de reais mais ativos imobiliários no valor de 44 milhões de reais, que representam empreendimentos já lançados pela incorporadora. A Veremonte tem 75% do capital da New Co.

Ainda segundo a proposta, a Klabin Segall irá emitir ações no valor de 154 milhões reais para incorporar a New Co. Feita essa operação – que precisa ser aprovada em assembléia, prevista para ocorrer até 15 de julho -, a New Co. terá 58% do capital da Klabin. “Dessa forma, aportamos capital e ativos e fortalecemos a Klabin”, disse a EXAME Marcelo Paracchini, diretor-presidente da Veremonte.

Para ser concluída, no entanto, a transação depende de outro fator, além da aprovação em assembléia: da renegociação da dívida da Klabin. No fim de 2008, a empresa estava endividada em 528 milhões de reais – a maior parte, em debêntures -, o que a colocava numa delicada situação financeira. “Iniciamos as renegociações com os detentores da debêntures em março, tivemos conquistas importantes e vamos continuar as conversas agora”, diz Carlos Eduardo Malagoni, diretor financeiro e de relações com investidores da Klabin Segall. Sem dar detalhes de como pode ser essa renegociação, Malagoni disse que a empresa busca “uma readequação às novas condições de mercado”. “Houve um importante descasamento entre o fluxo operacional e o financeiro nos últimos meses”, completou.

Ainda hoje, mais cedo, a Klabin comunicou a venda de 50% de um de seus principais empreendimentos, o Seridó, em São Paulo. O comprador é o fundo americano Golden Tree Insite Partners, que pagou 49,8 milhões de reais. A transação animou os investidores: as ações da Klabin fecharam em alta de cerca de 30%, anulando a queda do ano. Desde o IPO, porém, os papéis perderam mais de 80%. Para os acionistas minoritários da Klabin Segall, nada muda. A empresa continuará aberta e não haverá o pagamento de prêmio de controle. “Os controladores não estão recebendo nada em dinheiro, por isso, nesse caso, o tag along não se aplica”, diz Paracchini.

Esse é o segundo negócio feito por Enrique Bañuelos no mercado imobiliário brasileiro neste ano. Em fevereiro, também em parceria com a Agra, ele comprou 62% da Abyara por 38 milhões de reais. Segundo Paracchini, as operações da Abyara, Agra e Klabin Segall serão tocadas de forma separada, mas poderá haver parcerias estratégias. “As melhores práticas de cada uma das empresas poderão ser replicadas nas demais”, diz.

Fonte: Exame


Crise amplia a falta de recursos no setor imobiliário

29 janeiro, 2009

Falta crédito para tocar novos projetos. Empresas estão mais endividadas e as linhas disponíveis nos bancos estão caras demais.

O aprofundamento da crise do setor imobiliário fez o movimento de fusões e aquisições entre as companhias estancar, mas ao mesmo tempo atraiu a atenção de fundos e investidores em busca de oportunidades. No momento, as empresas sofrem com problemas de falta de crédito para alavancar os projetos, além da escassez da demanda.

“Ninguém tem recursos para apostar em novo negócio, as companhias estão olhando para a própria casa. O crédito é escasso, as empresas estão mais endividadas e as linhas específicas disponíveis nos bancos estão caras demais. Já os fundos de investimento estão vendo oportunidades, pois os papéis estão bastante descontados”, avalia a equipe de pesquisa da Banif Securities.

Sem recuperação

A visão dos fundos de investimento é de que, no momento, não há espaço para a recuperação das cotações, mas no longo prazo, o setor tende a registrar dias melhores. “Existem fundos importantes montando posição dentro das empresas. Não são participações estratégicas para assumir o controle e sim compra de participação devido aos preços atrativos”, explica um analista de mercado.

Este foi o caso da Agra Empreendimentos Imobiliários. Recentemente, a companhia informou que o AC0 Fundo de Investimentos Multimercado comprou, por meio do Banco J.P. Morgan, 425 mil ações ordinárias, o que corresponde a 10,07% do capital social da companhia.

“A adquirente declara que não se trata de aquisição do controle da companhia, mas sim de investimento que não busca a alterar a administração, composição de controle ou o regular funcionamento da companhia”, destacou o comunicado.

Nenhum fator novo

Segundo a análise da Banif, não é esperado nenhum fator novo que leve as empresas do setor imobiliário retomar o movimento de consolidação. “O mercado está ruim para todos”, declaram os especialistas do banco. Desta forma, dificilmente as empresas teriam recursos para fazer uma aquisição ou ampliar a exposição no setor, mesmo as de maior porte. Sem muitas opções, a saída encontrada pelas empresas tem sido a retração dos negócios, venda de terrenos, busca de parcerias para a confecção dos projetos ou injeção de capital de novos acionistas, com o maior interesse dos bancos de investimento.

Troca de controle

Em último caso, fala-se da troca de controle e há ainda as que lançaram ações, como a Brascan Properties. A companhia aprovou a proposta de aumento do capital social dentro do limite do capital autorizado, por meio de subscrição privada, no valor de R$ 200 milhões, a ser realizado mediante a emissão de 100 milhões de novas ações ordinárias. Os acionistas signatários do Acordo de Acionistas comprometeram-se a subscrever a totalidade das ações correspondentes ao seu direito de preferência. O aumento de capital teve por objetivo fortalecer a estrutura de capital da companhia, com o aperfeiçoamento dos seus índices financeiros.

As companhias mais fragilizadas

As companhias mais fragilizadas diante deste cenário são a Abyara, e Inpar. Esta última buscou se reerguer com o processo de aumento de capital e injeção de recursos. No final do ano passado, a Inpar anunciou o aumento do capital social da companhia por meio de subscrição privada, no valor de R$ 180 milhões. Serão emitidas 102.857.143 novas ações ordinárias, ao preço de R$ 1,75, dez vezes inferior ao valor negociado na estréia na BM&FBovespa.

Com a operação, o Paladin, fundo norte-americano especializado no mercado imobiliário, entrou no controle da incorporadora e pode ter até 52% da InPar caso os outros acionistas não exerçam o direito de preferência na compra de ações. Os recursos servirão para que a incorporadora consiga atuar no curto prazo.

Mas o caso da Abyara é bem mais preocupante. A empresa já vendeu parte das operações para fazer caixa e agora busca vender outros ativos, como terrenos e projetos. Esta operação, no entanto, não é simples. No momento, os terrenos estão mais desvalorizados e as interessadas com poucos recursos. “A empresa não tem conseguido vender os terrenos. Não vai vender abaixo do valor que adquiriu em 2007, mas também não consegue vender com lucro”, explicam os analistas do Banif.

Ao mesmo tempo, torna-se complicado conseguir parcerias para tocar os projetos, pois o mercado está desaquecido. “A Abyara é a empresa mais exposta, mas não acredito que vá quebrar ou algo assim. No máximo devem ocorrer atrasos nos empreendimentos”, afirma um analista de mercado.

Para a Abyara, não está ainda descartada a venda para o investidor espanhol Enrique Bañuelos. Segundo fontes do mercado imobiliário, o espanhol teria voltado a conversar com a empresa este ano. Um dos indicativos de que uma possível negociação esteja ocorrendo é o comportamento das ações da Agra no acumulado do ano.

Apesar de a empresa ser a que se encontra em pior situação dentre o segmento imobiliário, os papéis da Agra são os que acumulam a maior valorização dentre os pertencentes ao setor. Bañuelos teria planos de unir várias empresas do setor imobiliário em uma holding. A Agra e a Abyara seriam as duas companhias em negociações mais adiantadas com o investidor espanhol.

Fonte: Monitor Mercantil


Espanhol arquiteta holding imobiliária

11 dezembro, 2008
Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauipe no dia da assinatura do contrato.

Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauípe no dia da assinatura do contrato.

Ele já foi chamado de Donald Trump espanhol e “senhor dos tijolos”, como são conhecidos na Espanha os magnatas da construção. Dono de uma trajetória nada invejável de ascensão e queda – uma fortuna de mais de US$ 7 bilhões quase evaporou depois de denúncias de operações que inflaram os papéis da sua empresa imobiliária na Espanha – o valenciano Enrique Bañuelos é o homem que está arquitetando, nos bastidores, a tacada mais ousada do mercado imobiliário brasileiro. O polêmico empresário está em contato com pelo menos seis companhias do setor – e estaria em conversas mais avançadas com Agra e Abyara – para montar uma holding, que já ganhou até um nome: Veremonte. A grande dúvida do mercado é se a proposta é factível e se Bañuelos, que já desistiu de outros negócios aqui, conseguiria levá-la adiante.

Além de Agra e Abyara, o Valor apurou que Bañuelos já sondou a Inpar, Even, Klabin Segall, Tecnisa e Rossi. A bordo de seu jato particular, avaliado em mais de US$ 8 milhões – que usa para levar os empresários brasileiros para visitar terrenos e empreendimentos no Nordeste em uma única tarde – Enrique tem mostrado uma habilidade invejável para discorrer sobre seu plano de negócios. E, em função da complicada situação não só do mercado, como de várias empresas, tem encontrado ressonância nas empresas. “Ele tem pouca credibilidade, mas é sedutor e muitas companhias, que estão praticamente sem saída, viram nessa holding uma promessa de salvação”, diz uma fonte do setor.

O Valor teve acesso ao plano de negócios da holding, que se vende como a plataforma líder de “real estate” no país. A apresentação impressiona pela complexidade e pela ambição. Para reduzir os custos operacionais e conseguir economia de escala, a idéia é criar uma empresa única centralizada, com uma sede e uma única estrutura financeira, administrativa, de marketing, construção e vendas. Uma companhia saudável, não contaminada pelas dívidas das companhias abertas, que fica com parte dos ativos das empresas, e que a médio prazo abriria capital lá fora: 40% nas bolsas de Londres e Nova York (sendo 20% de oferta secundária e 80% de oferta primária). “Os recursos da oferta primária serão destinados preferencialmente para o pagamento dos ativos adquiridos das S.A listadas e para eliminar as dívidas corporativas das companhias”, discorre o plano.

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As companhias se especializarão, na baixa renda, média, alto padrão, comercial, ficando com pelo menos 65% da atividade no segmento específico. A holding, segundo o plano de negócios, entrará em novas atividades, como corretagem – será proposto aos principais bancos do país a criação de um instrumento de corretagem que usaria as agências para captação de vendas. Também pretendem criar um companhia hipotecária, uma seguradora e montar um patrimônio para ser alugado. Promete, ainda, alianças internacionais e para isso teria escritórios em Nova York, Londres, Madri, Moscou e Dubai. Mas a ousadia não termina aí. O plano de negócios diz que “é objetivo prioritário da empresa que suas controladas criem novas cidades, desenhem a expansão de grandes cidades do Brasil em colaboração com grandes grupos internacionais.”

O empresário espanhol está apresentando aos empresários brasileiros uma estrutura de empresas em cascata, com um modelo complexo de participações cruzadas (ver tabela acima). Os donos de companhias abertas brasileiros, que no plano de negócios são chamados de fundadores, teriam 40% da nova empresa, mas continuariam com as suas respectivas empresas, que se mantém independentes e listadas em bolsa. O plano de negócios foi montado de tal forma a evitar o disparo de “poison pill” (mecanismo que protege a empresa de uma compra hostil) e tag along (direito do minoritário de receber o que foi pago ao controlador ) já pensando no efeito que a possível montagem de uma estrutura desse porte poderia causar sobre os minoritários.

A questão é que, além de um escândalo envolvendo a empresa que fundou, a Astroc, na Espanha, o empresário teve problemas recentes no Brasil. No dia da assinatura do contrato e pagamento de 70 milhões de euros pela aquisição do Complexo da Costa do Sauípe, na Bahia, Enrique Bañuelos desistiu do negócio. A crise e o acerto do valor em euros, antes da desvalorização do real, teriam sido os motivos para a desistência do negócio.

Relatório do terceiro trimestre da Afirma, nome atual da Astroc, diz que a empresa participa em 55% da Brasil Real Estate New Project Participações, S.A, cujo objetivo é desenvolver um projeto turístico no Brasil de longo prazo.

Todas as empresas citadas foram procuradas. Segundo assessoria de imprensa da Tecnisa, a empresa recebeu a visita dos investidores espanhóis, porém a conversa não evoluiu. A Abyara informou que “está aberta a negociações, mas por questões estratégicas prefere não comentar sobre rumores de mercado”. A Rossi informou que não esteve em contato com o investidor espanhol Enrique Bãnuelos, assim como Klabin Segall e Even.

Fonte: Valor


Apesar do auxílio, construção civil desacelera

15 novembro, 2008

Apesar das medidas de auxílio do governo ao setor de construção civil, as incorporadoras continuam em ritmo de desaceleração e seguem revisando para baixo seus planos de lançamentos para este ano.

Após divulgar os resultados referentes ao terceiro trimestre, ontem, a Abyara afirmou que não lançará novos empreendimentos neste ano. Com isso, a empresa encerra o ano com R$ 1,1 bilhão em lançamentos. A expectativa inicial era de R$ 2,2 bilhões.

“A ordem agora é manter a cautela e a disciplina financeira”, diz a diretora financeira da empresa, Ana Granato.

A Abyara já começou a implementar um programa de contenção de gastos que inclui 40% de corte na folha de pagamentos, como medida para enfrentar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil. O número de demissões não foi informado.

De acordo com Granato, as ações do governo para estimular o setor, embora bem-vindas, ainda não tiveram efeito. “Não que não sejam suficientes, mas ainda não ocorreram de fato.”

Entre as medidas anunciadas, está uma linha de financiamento de capital de giro oferecida pela Caixa Econômica Federal no valor de R$ 3 bilhões para os empreendimentos lançados antes do dia 1º de outubro. A ajuda, porém, ainda depende de regulamentação para entrar em operação. A Caixa também poderá comprar participações em construtoras com dificuldades de caixa.

A Cyrela e a Agra também anunciaram revisões significativas em seu “guidance” (projeções) de lançamentos. Em nota, a Cyrela afirmou que, “em virtude do atual cenário econômico internacional e das incertezas sobre o impacto na economia brasileira, a empresa optou por postergar parte dos lançamentos previstos para 2008″. A Cyrela previa lançar R$ 7 bilhões em projetos neste ano e rebaixou para algo entre R$ 5,25 bilhões e R$ 5,6 bilhões.

Já a Agra rebaixou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão sua projeção de lançamentos.

“Muitos consumidores estão receosos com o que vai acontecer com emprego e crédito. Precisamos nos ajustar à nova situação”, diz o diretor de relações com investidores da Agra, Fábio Tsubouchi.

Para o presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), João Crestana, as empresas agora adotam uma atitude de cautela e devem se tornar mais seletivas com os projetos. “É preciso priorizar a liquidez e garantir capital de giro. Se uma empresa tinha cinco ou seis lançamentos previstos, agora vai escolher dois ou três, aqueles que têm rentabilidade.”

Fonte: Midiamax