Espanhol arquiteta holding imobiliária

11 Dezembro, 2008
Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauipe no dia da assinatura do contrato.

Empresário valenciano, dono da Astroc, desistiu da compra do Complexo Costa do Sauípe no dia da assinatura do contrato.

Ele já foi chamado de Donald Trump espanhol e “senhor dos tijolos”, como são conhecidos na Espanha os magnatas da construção. Dono de uma trajetória nada invejável de ascensão e queda - uma fortuna de mais de US$ 7 bilhões quase evaporou depois de denúncias de operações que inflaram os papéis da sua empresa imobiliária na Espanha - o valenciano Enrique Bañuelos é o homem que está arquitetando, nos bastidores, a tacada mais ousada do mercado imobiliário brasileiro. O polêmico empresário está em contato com pelo menos seis companhias do setor - e estaria em conversas mais avançadas com Agra e Abyara - para montar uma holding, que já ganhou até um nome: Veremonte. A grande dúvida do mercado é se a proposta é factível e se Bañuelos, que já desistiu de outros negócios aqui, conseguiria levá-la adiante.

Além de Agra e Abyara, o Valor apurou que Bañuelos já sondou a Inpar, Even, Klabin Segall, Tecnisa e Rossi. A bordo de seu jato particular, avaliado em mais de US$ 8 milhões - que usa para levar os empresários brasileiros para visitar terrenos e empreendimentos no Nordeste em uma única tarde - Enrique tem mostrado uma habilidade invejável para discorrer sobre seu plano de negócios. E, em função da complicada situação não só do mercado, como de várias empresas, tem encontrado ressonância nas empresas. “Ele tem pouca credibilidade, mas é sedutor e muitas companhias, que estão praticamente sem saída, viram nessa holding uma promessa de salvação”, diz uma fonte do setor.

O Valor teve acesso ao plano de negócios da holding, que se vende como a plataforma líder de “real estate” no país. A apresentação impressiona pela complexidade e pela ambição. Para reduzir os custos operacionais e conseguir economia de escala, a idéia é criar uma empresa única centralizada, com uma sede e uma única estrutura financeira, administrativa, de marketing, construção e vendas. Uma companhia saudável, não contaminada pelas dívidas das companhias abertas, que fica com parte dos ativos das empresas, e que a médio prazo abriria capital lá fora: 40% nas bolsas de Londres e Nova York (sendo 20% de oferta secundária e 80% de oferta primária). “Os recursos da oferta primária serão destinados preferencialmente para o pagamento dos ativos adquiridos das S.A listadas e para eliminar as dívidas corporativas das companhias”, discorre o plano.

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As companhias se especializarão, na baixa renda, média, alto padrão, comercial, ficando com pelo menos 65% da atividade no segmento específico. A holding, segundo o plano de negócios, entrará em novas atividades, como corretagem - será proposto aos principais bancos do país a criação de um instrumento de corretagem que usaria as agências para captação de vendas. Também pretendem criar um companhia hipotecária, uma seguradora e montar um patrimônio para ser alugado. Promete, ainda, alianças internacionais e para isso teria escritórios em Nova York, Londres, Madri, Moscou e Dubai. Mas a ousadia não termina aí. O plano de negócios diz que “é objetivo prioritário da empresa que suas controladas criem novas cidades, desenhem a expansão de grandes cidades do Brasil em colaboração com grandes grupos internacionais.”

O empresário espanhol está apresentando aos empresários brasileiros uma estrutura de empresas em cascata, com um modelo complexo de participações cruzadas (ver tabela acima). Os donos de companhias abertas brasileiros, que no plano de negócios são chamados de fundadores, teriam 40% da nova empresa, mas continuariam com as suas respectivas empresas, que se mantém independentes e listadas em bolsa. O plano de negócios foi montado de tal forma a evitar o disparo de “poison pill” (mecanismo que protege a empresa de uma compra hostil) e tag along (direito do minoritário de receber o que foi pago ao controlador ) já pensando no efeito que a possível montagem de uma estrutura desse porte poderia causar sobre os minoritários.

A questão é que, além de um escândalo envolvendo a empresa que fundou, a Astroc, na Espanha, o empresário teve problemas recentes no Brasil. No dia da assinatura do contrato e pagamento de 70 milhões de euros pela aquisição do Complexo da Costa do Sauípe, na Bahia, Enrique Bañuelos desistiu do negócio. A crise e o acerto do valor em euros, antes da desvalorização do real, teriam sido os motivos para a desistência do negócio.

Relatório do terceiro trimestre da Afirma, nome atual da Astroc, diz que a empresa participa em 55% da Brasil Real Estate New Project Participações, S.A, cujo objetivo é desenvolver um projeto turístico no Brasil de longo prazo.

Todas as empresas citadas foram procuradas. Segundo assessoria de imprensa da Tecnisa, a empresa recebeu a visita dos investidores espanhóis, porém a conversa não evoluiu. A Abyara informou que “está aberta a negociações, mas por questões estratégicas prefere não comentar sobre rumores de mercado”. A Rossi informou que não esteve em contato com o investidor espanhol Enrique Bãnuelos, assim como Klabin Segall e Even.

Fonte: Valor


Apesar do auxílio, construção civil desacelera

15 Novembro, 2008

Apesar das medidas de auxílio do governo ao setor de construção civil, as incorporadoras continuam em ritmo de desaceleração e seguem revisando para baixo seus planos de lançamentos para este ano.

Após divulgar os resultados referentes ao terceiro trimestre, ontem, a Abyara afirmou que não lançará novos empreendimentos neste ano. Com isso, a empresa encerra o ano com R$ 1,1 bilhão em lançamentos. A expectativa inicial era de R$ 2,2 bilhões.

“A ordem agora é manter a cautela e a disciplina financeira”, diz a diretora financeira da empresa, Ana Granato.

A Abyara já começou a implementar um programa de contenção de gastos que inclui 40% de corte na folha de pagamentos, como medida para enfrentar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil. O número de demissões não foi informado.

De acordo com Granato, as ações do governo para estimular o setor, embora bem-vindas, ainda não tiveram efeito. “Não que não sejam suficientes, mas ainda não ocorreram de fato.”

Entre as medidas anunciadas, está uma linha de financiamento de capital de giro oferecida pela Caixa Econômica Federal no valor de R$ 3 bilhões para os empreendimentos lançados antes do dia 1º de outubro. A ajuda, porém, ainda depende de regulamentação para entrar em operação. A Caixa também poderá comprar participações em construtoras com dificuldades de caixa.

A Cyrela e a Agra também anunciaram revisões significativas em seu “guidance” (projeções) de lançamentos. Em nota, a Cyrela afirmou que, “em virtude do atual cenário econômico internacional e das incertezas sobre o impacto na economia brasileira, a empresa optou por postergar parte dos lançamentos previstos para 2008″. A Cyrela previa lançar R$ 7 bilhões em projetos neste ano e rebaixou para algo entre R$ 5,25 bilhões e R$ 5,6 bilhões.

Já a Agra rebaixou de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,4 bilhão sua projeção de lançamentos.

“Muitos consumidores estão receosos com o que vai acontecer com emprego e crédito. Precisamos nos ajustar à nova situação”, diz o diretor de relações com investidores da Agra, Fábio Tsubouchi.

Para o presidente do Secovi-SP (sindicato da habitação), João Crestana, as empresas agora adotam uma atitude de cautela e devem se tornar mais seletivas com os projetos. “É preciso priorizar a liquidez e garantir capital de giro. Se uma empresa tinha cinco ou seis lançamentos previstos, agora vai escolher dois ou três, aqueles que têm rentabilidade.”

Fonte: Midiamax


Abyara confirma que vai executar duas obras em Curitiba

8 Novembro, 2008

A incorporadora Abyara, que na quinta-feira anunciou a redução do quadro de funcionários e a suspensão de lançamentos por conta da crise econômica, confirmou ontem que vai manter o cronograma dos dois empreendimentos que tem em Curitiba: o Botânica, que deve ter suas obras iniciadas no próximo mês, e o Reserva Ecoville, que ainda está em fase de comercialização. Outros projetos que seriam lançados nos próximos meses, outro no Ecoville e um no Portão, foram cancelados, temporariamente. Por conta disso, conforme a reportagem apurou com fontes do mercado, o quadro de funcionários administrativos caiu de 11 para 4 em Curitiba.

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Os dois empreendimentos da Abyara somam cerca de R$ 440 milhões em valor geral de vendas. O Botânica, lançado há um ano, conta com 560 unidades em cinco torres, todas vendidas já há alguns meses. Segundo a empresa, a obra terá início como previsto. O Reserva Ecoville, com 392 unidades de alto padrão, lançado em janeiro deste ano, está com 53% dos apartamentos comercializados. Segundo a assessoria de imprensa da incorporadora, todas as obras são financiadas pela Caixa, que prevê um valor de R$ 3,7 bilhões para a construção e comercialização de 75.476 unidades residenciais em todo o Brasil. A Abyara ressalta que os recursos das obras estão assegurados e garante que as obras serão concluídas.

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De acordo com o presidente do Sinduscon (sindicato das empresas de construção civil), Hamilton Franck, muitas empresas estão revendo seus lançamentos em função das incertezas do mercado. Segundo ele, os consumidores não precisam temer as notícias negativas envolvendo as empresas, pois há vários mecanismos que garantem a execução da obra. “O banco, quando faz empréstimo para a empresa, verifica se ela tem condições de garantir as verbas para aquele empreendimento. A instituição financeira, então, passa a fiscalizar a obra constantemente.” Segundo ele, em casos extremos, o banco pode até assumir a conclusão da obra. Uma das garantias que o banco pede é que as empresas constituam uma sociedade de propósito específico para cada obra, de forma que os recursos necessários para a execução de um edifício não se misturem com os de outros projetos. A Abyara informou que seguiu esse procedimento.

Fonte: RPC


Abyara suspende lançamentos; Gafisa mantém projeções

6 Novembro, 2008

São Paulo - A incorporadora imobiliária Abyara informou hoje, por meio de comunicado ao mercado, que irá suspender seus lançamentos até que a demanda por novos produtos imobiliários e a disponibilidade de linhas de crédito sejam restabelecidas. Na nota, a companhia diz que os acionistas integrantes do bloco de controle, incluído o Morgan Stanley, endossam a adoção das medidas.

Já a incorporadora e construtora Gafisa manteve sua projeção de realizar lançamentos de imobiliários de R$ 3,5 bilhões este ano, conforme informou em relatório. Se forem excluídos os lançamentos de R$ 200 milhões da Fit Residencial, subsidiária da Gafisa, no quarto trimestre deste ano que serão incorporados pela Construtora Tenda, recém-adquirida pela Gafisa, a companhia irá lançar R$ 3,3 bilhões.

“A Gafisa está preparada e tem financiamento disponível para continuar a lançar empreendimentos de acordo com nosso guidance (previsão) de lançamentos para o ano de 2008, desde que a demanda se mantenha”, diz em relatório. Mas a companhia admite que começa a sentir mais cautela dos consumidores na compra da casa própria e que, caso seja necessário, vai ajustar seus planos de lançamentos.

Fonte: Agencia Estado


Imobiliárias crescem e mudam mercado

29 Agosto, 2008

Nunca houve tanto empreendimento em construção no Brasil. Em diferentes estágios e para públicos distintos, o sucesso ou o fracasso dessa enxurrada de lançamentos que as construtoras desovam quase que diariamente no mercado - mais de R$ 30 bilhões (US$ 17,1 bilhões) desde o começo de 2007 - estão nas mãos de um segmento que sempre gozou de muito pouco prestígio: as imobiliárias e o seu exército de corretores.

O cenário mudou e essas empresas também. Para acompanhar a nova realidade, foram obrigadas a se profissionalizar e costurar uma rede com atuação nacional. O momento é oportuno e ninguém quer ficar de fora. O mercado das imobiliárias experimenta, agora, o boom que as construtoras e incorporadoras começaram a ter há dois anos. Com uma grande vantagem: não corre o risco do empreendimento e tem um custo fixo mínimo, já que os profissionais não têm vínculo e são 100% comissionados.

De um lado, empresas que abriram capital, como Lopes e Brasil Brokers, que adquiriu a Abyara, disputam mercado com companhias tradicionais de capital fechado como Fernandez Mera e Coelho da Fonseca. De outro, players internacionais, como a rede americana Century 21 e a tradicional casa de leilões Sotheby´s investem para cavar seu espaço.

Apesar das trajetórias distintas - a Lopes tem 70 anos de vida e a BR Brokers é novata - as duas que optaram pelo mercado de capitais seguem a mesma trajetória: aplicar os recursos levantados na bolsa na abertura de novas filiais e aquisição de pequenas empresas Brasil afora. Não poderia ser diferente. Um dos reflexos da corrida à bolsa foi a expansão nacional das construtoras. Se quisessem acompanhar o momento teriam que seguir essa nova configuração geográfica.

As mudanças, no entanto, são mais profundas. Foram anos de um mercado desorganizado e fragmentado, que agora precisa se provar eficiente. Quem não optou pela abertura de capital, também cresce. A Fernandez Mera está dobrando de tamanho esse ano. Sai de um volume de vendas de R$ 1,2 bilhão (US$ 621,8 milhões) para R$ 2,5 bilhões (US$ 1,6 bilhão) em 2008 e está abrindo novos escritórios no interior de São Paulo. A americana Century 21, uma das maiores redes de imobiliárias do mundo e presente em mais de 60 países, corre por fora. Deve abrir entre 10 e 15 franquias até o fim do ano e chegar à ambiciosa marca de 100 franquias até o fim de 2009. Aposta em trazer para o Brasil diferenciais, como o seguro de escritura, que cobre eventuais erros na documentação, assim como possíveis intervenções de terceiros que questionem a validade dos documentos.

Além dos lançamentos, as imobiliárias começam a trabalhar com imóveis usados - um mercado que sempre esteve nas mão de pequenas corretoras e até mesmo de profissionais autônomos - e que só tende a crescer. Em algum momento, as pessoas vão sair de onde moram para mudar para os novos apartamentos que estão ficando prontos. “Esse é o futuro do mercado imobiliário”, diz Gonzalo Fernandez, da Fernandez Mera.