Apesar do IGPM (Índice Geral de Preços ao Consumidor), que é o mais usado para reajustar os alugueis, ter ficado em 9,81% em 2008, a previsão das imobiliárias e corretores de Campo Grande é de que o índice não seja aplicado.
Em 2007 o índice ficou em 7,75%. “Para 2009, a negociação entre os proprietários e os inquilinos deve prevalecer no reajuste dos contratos”, diz Peter Richardson, vice-presidente do Secovi (Sindicato da Habitação) para a área de locação.
Segundo ele, hoje em dia, os interesses são convergentes, pois para o dono do imóvel não é bom ficar com o bem desocupado, porque há custo, e ainda corre o risco de ser depredado. Por outro lado, o inquilino também não quer deixar o imóvel, pois isso representa custo com mudança, pintura e ainda de tempo em busca de um novo lugar para morar.
Além disso, Richardson destaca que nos últimos anos o IGPM tem aumentado mais do que a renda dos inquilinos. “Noto que deste setembro deste ano, os proprietários tem se tornado, relativamente, mais flexíveis”, conta.
Setembro também é apontado por outra corretora como o início de um reaquecimento do mercado de aluguel, apesar da crise financeira mundial ter se instalado no mesmo período. Elizabete Campos da Silva, que trabalha como corretora há doze anos, lembra que os quatro últimos meses de 2008 têm sido os melhores do ano.
“Nos plantões de fim de semana que fazemos temos fechado muitos contratos”, conta. Elizabete confirma a tendência da negociação do reajuste ao invés da aplicação direta dos termos dos contratos. “Nós estamos fechando proposta com até metade do percentual indicado pelo IGPM” .
Ela destaca ainda, que há um grande número de famílias que estão se mudando para Campo Grande, o que tem aumentado a demanda nos imóveis de aluguel. “Este cliente aceitam logo de cara o preço do imóvel, mas na hora de do reajuste, eles sempre buscam um aumento menor”, conta lembrando que os proprietários estão abertos à negociação.
“É um bom negócio para os dois”. Richardson disse que os imóveis que estão tendo queda no índice de reajuste são aqueles com maior liquidez, ou seja: os que têm o custo até, no máximo, R$ 1.500 por mês.
“No custo estão inclusos: o aluguel, o condomínio e o imposto”, lembra. Apesar da negociação estar prevalecendo, Richardson ressalta que cada caso tem de ser analisado separadamente, pois as condições de uso do imóvel e sua procura no mercado podem variar muito. “Mas negociar é bom para os três: proprietários, inquilinos e administradoras”.
Fonte: Campo Grande News
