A alta do aluguel fez a denúncia vazia disparar no sexto mês do ano. O número de ações de despejo por procedimento ordinário - por infração contratual, descumprimento de regulamento interno de condomínios ou término do contrato, que inclui a denúncia vazia - subiu 40,28% em junho, na comparação com o mês anterior, de acordo com levantamento divulgado nesta sexta-feira (25) pelo grupo Hubert.

No quinto mês do ano, este tipo de processo, que ocorre quando os locadores pretendem aumentar o valor de locação, com a troca de inquilino, atingiu 144 casos, contra 202 em junho.
Discordância de valores e outras
Ainda segundo a pesquisa, as ações consignatórias - propostas quando há discordância de valores de aluguel ou encargos - retraíram 30%, pois passaram de 13 para 10 casos no período.
As ações renovatórias também apresentaram recuo, de 45,29% em junho, na comparação com o mês anterior, indo de 77 para 53 casos.
Por fim, as ações por falta de pagamento - que são geradas pela falta total ou parcial do pagamento do aluguele encargos - tiveram variação positiva de 13,29%, sendo que em maio foram registrados 1.539 casos e em junho 1.745 ocorrências.
Aluguel mais caro
Apontado como provável motivador da elevação da denúncia vazia, a alta do aluguel residencial na cidade de São Paulo atingiu 4,79%, no primeiro semestre de 2008, na comparação com o mesmo período de 2007.
No acumulado dos últimos 12 meses, o preço médio de locação cresceu 7,97%, variação superior à inflação do mesmo período, de 6,06% medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo).
Na comparação com o mês anterior, o aluguel de junho apresentou alta de 0,6%. Os dados fazem parte da mais recente Pesquisa Mensal dos Valores de Locação Residencial do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).
“O ciclo de alta dos aluguéis, entretando, pode não prosseguir com a força que vem demonstrando até então. Nesse caso, deverá haver estabilidade nos registros de ações de despejo por falta de pagamento e denúncia vazia, com os locadores voltando a prestigiar seus atuais inquilinos bons pagadores”, afirma o diretor do Grupo Hubert, Hubert Gebara, que também é vice-presidente do Secovi-SP.
